Veja se consegue descobrir o melhor...
Porque na Vida há maus e bons momentos. Porque no dia-a-dia há acontecimentos que nos afectam positiva ou negativamente.
sábado, 30 de setembro de 2017
sexta-feira, 29 de setembro de 2017
Hugh Hefner morreu
Morreu, no passado dia 27, Hugh Hefner, o empresário norte-americano fundador e editor-chefe da mais famosa revista erótica do mundo, a "Playboy", lançada em Dezembro de 1953. Terá sido, também, o maior promotor de vendas de silicone...
Dificilmente se dirá que foi desta para melhor...
quinta-feira, 28 de setembro de 2017
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
terça-feira, 26 de setembro de 2017
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
Os morcegos da Biblioteca do Palácio-Convento Nacional de Mafra
A Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra conta com um acervo de cerca de 30 mil volumes do período entre os séculos XV e XIX, que enchem as suas estantes imponentes. Cada volume pode ter várias obras. Há volumes com mais de cem títulos.
Há livros em várias línguas. Português, francês e latim são as predominantes, mas também há livros em espanhol, italiano, holandês, hebraico e alemão.
Os morcegos que habitam na Biblioteca do Palácio-Convento, maioritariamente da espécie Pipistrellus, ajudam a manter os livros livres dos insectos que os poderiam estragar. Com cerca de 4 a 6 gramas no estado adulto, estes bichinhos, que de dia dormem, trabalham à noite na biblioteca para a ajudarem manter-se sã. E, para isso, basta alimentarem-se. Numa noite comem cerca de metade do seu peso. Não interferem com equilíbrio do ambiente.domingo, 24 de setembro de 2017
sábado, 23 de setembro de 2017
sexta-feira, 22 de setembro de 2017
quinta-feira, 21 de setembro de 2017
Papel...de pedra!
O papel de pedra é papel mineral, produzido sem árvores, sem água, sem cloro e sem químicos poluentes. A sua produção requer cerca de menos 50% de energia em relação ao papel tradicional e não precisa de água nem de madeira para a sua elaboração, nem de qualquer adição de químicos. É fabricado com 80% de carbonato de cálcio e 20% de polietileno de alta densidade, permitindo a impressão em quase todos os sistemas actuais, incluindo as novas impressões digitais.
Ver aqui.
Ver aqui.
quarta-feira, 20 de setembro de 2017
Rapazes e raparigas ou..."transgénero"?
«Já há muitos anos que tem vindo a ser implementada em Portugal (e também noutros países) uma ideologia que se designa por “ideologia do género”. Esta teoria assenta na ideia radical de que os sexos masculinos e femininos não passam de uma construção mental, cabendo à pessoa escolher a sua própria identidade de género (já existem identificadas mais de 30!). Trata-se de um movimento cultural com impacto na família, na política, na educação, na comunicação social e que reclama a utilização de uma nova linguagem.
A Assembleia da República discute um projeto-lei do Bloco de Esquerda que permite a mudança de sexo aos 16 anos e, no caso de os pais se oporem a esta ideia, possibilita que os menores possam intentar judicialmente contra estes. A agenda política do BE é a seguinte: promover a ambiguidade da identidade sexual e considerar normal aquilo que, na maioria dos casos, é patológico. Convém alertar as pessoas para os perigos desta aberração legislativa, pois os deputados não sabem de medicina, nem tão-pouco de psiquiatria. Os casos de perturbação de identidade sexual (disforia de género) são complexos e levam por vezes os jovens ao suicídio, pelo que este assunto deve ser tratado com uma enorme prudência. Considerar que estes casos se resolvem com um pacote legislativo, é uma visão simplista, redutora e perigosa deste problema.
A estratégia por detrás desta mutação social, que agora se pretende implementar pela via legislativa, é fazer crer que a a ideologia de género é cientificamente correta. As teses desta ideologia são apresentadas como um dado científico consensual e indiscutível, mas isto é absolutamente falso. A natureza tem regras, cabe à ciência compreendê-las e descodificá-las. Portanto, compete à ciência elaborar as teorias que ajudem a desvendar a realidade e não o contrário, como acontece na ideologia do género: elaborou-se uma teoria e para a validar procura-se alterar a realidade.
As consequências deste conflito estão à vista. Nunca como hoje se baralhou e confundiu tanto a mente de crianças e adolescentes. E isto não tem nada a ver com liberdade, mas com uma doutrinação promovida por alguns partidos que se apoderaram ideologicamente do Estado e que desejam proceder à reeducação das massas. Neste contexto, esta proposta legislativa não poderia ser mais tirânica: os pais são expulsos do processo educativo, os psiquiatras e psicólogos são totalmente desvalorizados, sendo-lhes retiradas competências, e os menores passam a ser “propriedade” do Estado que, no plano educativo e legislativo, lhes impõe um novo sistema de valores baseado na ideologia do género.
É espantoso assistir-se a uma indolência perante uma ideologia que se entranhou na sociedade como se fosse um dogma de fé. Mas esta ideologia não exprime a verdade da pessoa humana. Trata-se afinal de uma aventura ideológica, inspirada pelo desejo do Homem controlar a natureza; neste caso, o Homem decidiu declarar guerra à natureza.
Na identidade sexual não é sensato defender a supremacia absoluta da dimensão biológica sobre a dimensão psicológica/sociocultural. O ideal é que haja uma harmonia entre ambas, não sendo ético provocar desordens psicopatológicas artificiais, através da difusão de uma ideologia radical destinada a criar um “homem novo”. Considero uma irresponsabilidade que Estado fomente, seja de que forma for, a ambiguidade da identidade sexual dos adolescentes, deixando-os ficar entregues a si próprios, através de um projeto-lei leviano e irresponsável.
Como psiquiatra oponho-me a esta iniciativa legislativa do Bloco de Esquerda, pois ela não respeita a ciência médica. Não podemos permitir que os adolescentes sejam objeto de experiências de engenharia social. É necessário criar condições para que as crianças e os adolescentes possam crescer livres e mentalmente saudáveis, respeitando o direito que os pais têm de dar a formação moral que considerarem melhor para os seus filhos.
Os casos de disforia do género devem ser referenciados para a psiquiatria, de modo a serem acompanhados pelos vários profissionais de saúde competentes, pois as doenças não se tratam por decreto-lei. Além disso, a história ensina-nos que sempre que a medicina se subjugou à ideologia, os resultados foram desastrosos para a humanidade.»
(Artigo de opinião da autoria do médico psiquiatra Pedro Afonso, intitulado "A estratégia para acabar com os rapazes e as raparigas", publicado no jornal online "Observador" do dia 19 de Setembro de 2017)
terça-feira, 19 de setembro de 2017
Propostas da Estratégia Nacional para o Envelhecimento Activo e Saudável 2017-2025
Saúde
Promover acções dirigidas ao auto-cuidado, à vigilância da saúde, à vacinação, aos rastreios, aos exames médicos, adesão ao plano terapêutico e a outros cuidados de saúde
Criar um programa de vigilância da saúde das pessoas idosas que institua o registo da avaliação das funcionalidades e que compreenda a realização de avaliações regulares com vista à detecção precoce de défices funcionais, défices psíquicos ou doenças crónicas logo a partir dos 50 anos de idade
Instituir diagnóstico compreensivo obrigatório aos 65 anos
Estabelecer um Plano Individual de Cuidados (PIC) como instrumento de intervenção integrada em todos os idosos com várias patologias e que inclua um sistema de “bandeiras vermelhas” que sirvam de alerta sempre que, por exemplo, haja um recurso frequente às urgências, faltas sucessivas a consultas ou sinais de negligência ou maus-tratos
Referenciar a pessoa responsável pelos cuidados ao idoso. Nos casos em que seja necessário, aquela deve receber formação para os cuidados a dar e o seu estado geral de saúde e o nível de exaustão devem ser avaliados periodicamente
Definir uma estratégia de combate à polimedicação tornando-a de justificação obrigatória quando inclua mais de cinco medicamentos
Adaptar a triagem nas urgências hospitalares aos idosos, criando um sistema de diferenciação positiva
Generalização do projecto Centro de Saúde Amigo das Pessoas Idosas
Criar unidades de agudos para doentes idosos e equipas multidisciplinares capazes de dar uma resposta integrada aos doentes idosos
Educação e participação
Investir na formação e educação sobre o envelhecimento em todos os graus de ensino, integrando nos programas e metas curriculares a valorização da pessoa idosa
Incentivar a investigação académica na área do envelhecimento
Alertar as instituições do ensino superior para as necessidades de adequação dos planos curriculares às características populacionais emergentes
Apoiar o desenvolvimento de universidades seniores e desenvolver o Erasmus Senior que promova intercâmbios no espaço europeu dos idosos que frequentem a universidade
Acordar com empresas de entretenimento produtoras de programas de grande audiência a inserção de mensagens promotoras da literacia em saúde
Combater o idadismo (discriminação em razão da idade) através de campanhas que promovam aspectos positivos do envelhecimento e identifiquem os contributos dos idosos para a sociedade
Promover a transição progressiva para a reforma e incentivar a criação de estruturas ou recursos que sejam agentes facilitadores desta mudança
Criar, organizar e divulgar redes de prestação de cuidados prestados ao domicílio e em ambulatório e apoiar nas necessidades pontuais de manutenção do conforto no domicílio das pessoas idosas
Criar ambientes de suporte físico e social nos bairros, permitindo a permanência das pessoas idosas em suas casas e comunidades o maior tempo possível
Desenvolver sistemas de monitorização que permitam o “ageing in place” com qualidade e segurança
Cumprir a lei no que concerne à eliminação de barreiras arquitectónicas
Preparar zonas pedonais que facilitem a deslocação de pessoas a pé ou em cadeira de rodas
Criar Loja Móvel do Cidadão Idoso e gabinetes de apoio ao idoso nas autarquias ou juntas de freguesia
Segurança
Avaliação sistemática em todas as pessoas idosas de sinais de violência pelo menos uma vez por ano, nos centros de saúde
Generalizar a circulação de autocarros com piso rebaixado e formar os condutores para o transporte de pessoas idosas
Semaforização com temporização adequada aos idosos
(Extraído do artigo da autoria de Natália Faria intitulado "Governo acolhe estratégia para tornar Portugal num país “amigo dos idosos”", publicado no jornal "Público" de 18 de Setembro de 2017)
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
Anna Netrebko faz anos hoje.
Anna Netrebko, soprano lírica russa, muito apreciada pela sua voz de uma pureza espantosa, de precisão e extensão, nasceu no dia 18 de Setembro de 1971 em Krasnodar.
domingo, 17 de setembro de 2017
sábado, 16 de setembro de 2017
sexta-feira, 15 de setembro de 2017
Dr. enfermeiro
Com a devida vénia, eis a crónica de Raquel Correia, "médica, copywriter, intrinsecamente curiosa e quase sempre sarcástica" publicada no passado dia 12 de Setembro no jornal "Público",
«Há sempre alarido quando uma das profissões de saúde faz greve. Somos todos uns sádicos gananciosos — já se sabe
Antes de mais, a ti, caro hipócrita, que andas a tentar criar atritos entre médicos e enfermeiros, desejo-te uma longa e demorada colonoscopia sem anestesia. Estou grisalha de te ver descontextualizar e tentar pôr-nos à pancada.
Tenho pena de não te poder censurar. A ti, e aos teus textos presunçosos, cheios de palavras caras e alusões a filósofos de bidé. Se queres usar palavras como arma de arremesso, sê simples e inteligente. Elucida-me, em vez de me confundires.
Estragas-me a dieta com os teus generosos argumentos: os enfermeiros querem ganhar mais, os enfermeiros especialistas querem ser médicos, os enfermeiros são profissionais holísticos. Holística é a tua burrice!
Não vês que na saúde ninguém trabalha sozinho? Qualquer médico sabe que ter enfermeiros competentes na equipa é essencial. Assim como é essencial ter auxiliares, administrativos, assistentes sociais e mais um par de botas. Somos equipas multidisciplinares, ponto.
Importa perceber que o dinheiro é uma ínfima parte do que nos aflige. Falta sobretudo ser reconhecido, ter tempo e ser respeitado. Faltam oportunidades de formação e organização adequada. Não somos máquinas, ainda que nos queiram assim pintar. Como é que, em 2017, com tecnologia ímpar, sistemas informáticos fora de série e um quinquagésimo iPhone a sair do forno, trabalhamos mais do que nunca, ganhamos menos e pintamos as raízes mais vezes? Faz algum sentido?
E, já agora, que trafulhice é essa de uma pessoa investir numa especialização e depois ser má vontade não querer fazer trabalho especializado pelo mesmo preço? Se em casa quero impressionar as visitas com um serviço de porcelana, não vou à Vista Alegre perguntar se não se importam de mo vender a preço de talheres de plástico.
Ao contrário do que nos tentam impingir certos artigos, os valores dos profissionais de saúde não estão em saldos. Eu levanto-me todos os dias com a noção de ter uma missão, ainda que esta seja desempenhada no meio de gritos de dor, camas rangedoras e burocracias obscenas. Sei que nada é mais valioso do que a gratidão que sinto quando tenho a sensação de dever cumprido. O que faço e o que os meus colegas fazem — sejam eles médicos ou enfermeiros — é pelos doentes.
Esta greve não é — infelizmente — um problema isolado de uma classe profissional. Esta greve, e todas as outras que se vão seguir, é um reflexo do estado actual do Sistema Nacional de Saúde: frígido, insalubre, e a precisar de reanimação. Foram muitos anos na cama com políticas da tanga. Palpita-me que, tal como eu não reanimo um doente sozinha, o sistema também não vai entesar só com a sensualidade de uma classe. Dizia a bastonária dos enfermeiros que urge acção. Eu acho que urge coito.
Isto é hora de orgia arrebatadora e fogosa. Médicos, enfermeiros, e outros profissionais de saúde: vai ter de haver aqui alguma promiscuidade e nudismo. Despirmo-nos dos preconceitos — tantas vezes parvos — que nos separam e lutar por uma causa comum. Tentar — desculpem, não posso usar o verbo — f_ _ _ _ o sistema.
Trabalhamos todos, todos os dias, a menos de um palmo de distância. Podemos ser consistentes e lutar juntos por algo que todos queremos? Um sistema de saúde tesudo? Depois, quando ele tiver voltado a ser firme e hirto, e estiver naquela pausa do cigarro pós-coito, podemos voltar às nossas guerrinhas tolas. Prometo.»
quinta-feira, 14 de setembro de 2017
quarta-feira, 13 de setembro de 2017
Mais de um quarto dos artigos científicos distorcem a interpretação ou induzem os leitores a ver os resultados de forma mais favorável
Um estudo recente (Chiu K, Grundy Q, Bero L. "Spin" in published biomedical literature: A methodological systematic review. PLoS Biol 15(9): e2002173. Published online 2017 September 11. DOI.10.1371/journal.pbio.2002173) sugere que mais de um quarto dos artigos científicos em biomedicina usa práticas que distorcem a interpretação de resultados ou induzem os leitores a ver os resultados de forma mais favorável.
Os pesquisadores realizaram uma análise sistemática de 35 estudos académicos publicados que haviam analisado o chamado "spin" em artigos científicos de biomedicina. Eles constataram que o "spin" é prevalente em uma ampla variedade de desenhos de estudos, incluindo estudos clínicos, estudos observacionais, estudos de precisão diagnóstica e revisões sistemáticas. A mais elevada e também maior variabilidade na prevalência de "spin" estava presente em estudos clínicos (mediana, 57% dos textos principais continham "spin", variando de 19% a 100% em 16 artigos).
Foi identificada uma ampla variedade de estratégias para resultados de "spin", incluindo fazer recomendações inapropriadas para a prática clínica sem o suporte dos resultados do estudo, fazer alegações inadequadas sobre achados estatisticamente não significativos e atribuir causalidade quando isso não era possível.
A coautora do estudo, professora Lisa Bero, afirmou haver uma necessidade urgente de mais pesquisas para «determinar os fatores institucionais ou culturais que poderiam contribuir para uma prevalência tão elevada de "spin" na literatura científica e para melhor entender o potencial impacto do "spin" na pesquisa, prática clínica e políticas».
(Adaptado de "Spin" é comum em pesquisas clínicas, Univadis Medical News)
terça-feira, 12 de setembro de 2017
segunda-feira, 11 de setembro de 2017
Do turismo e dos turistas em Portugal
Da autoria de Francisco José Viegas, alguns excertos do artigo de opinião intitulado "Os turistas ou de como, afinal, gostamos de aristocratas", publicado na revista "Sábado" de 17 de Agosto último. Com a devida vénia,
.../...«Bons tempos aqueles em que a capital era visitada – às escondidas – por Woody Allen (ligeiramente antipático, se me permitem) ou Kingsley Amis (bom copo, segundo testemunhos). Naqueles saudosos anos, o turismo trazia-nos, na tradição das visitas de Lord Byron, escritores de primeira linha como Stephen Spender, Christopher Isherwood, W.H. Auden e T.S. Eliot, tal como a Madeira recebia Churchill depois da guerra e Lisboa abria as portas a Calouste Gulbenkian em pleno conflito. Bons tempos. Há uma diferença entre eles e Cantona, Madonna, Monica Bellucci ou Michael Fassbender, que agora poisaram entre nós, mas o problema não são estes: o problema são os que vêm com eles, ou seja, 19 milhões de hóspedes. Ora, o que fazem estes 19 milhões que dormem nos hotéis, alugam apartamentos, ocupam museus, chateiam nos aeroportos, comem sardinhas, fazem sexo com os autóctones ou passeiam em família, enchendo páginas e páginas de Instagram? Turismo. O turismo é um mal das democracias, possibilitando a todos uma espécie de aventura remediada, que é – em vez de atravessarem o deserto numa coluna de camelos ou instalarem-se no Sheraton Full Moon das Maldivas – passarem 10 dias a dormir numa cama do IKEA, pisar merda de cão nas ruas do Bairro Alto e beber vinho decente. Bons tempos aqueles em que o Chiado era um deserto decadente e só uma minoria podia fazer o inter-rail, viajar até às Caraíbas ou ao Brasil e à Tunísia (ir de excursão a Vigo era antes), ir ao Algarve ou visitar o Portugal dos Pequenitos. Infelizmente, Lisboa, Porto, o Douro (até o Douro, que escondemos durante anos numa confortável e deslumbrante miséria) e o Alentejo “entraram na moda”, e hordas de bárbaros vêm comer nos nossos restaurantes, ocupar as nossas praças e descobrir que a nossa cozinha é a mais influente do planeta (segundo a BBC).
A esquerda lisboeta, farta de viajar, muito cosmopolita, gostava mais do Chiado de antigamente, onde havia lojas aonde ia com os tios e ruínas escondidas por tapumes, e não aquela arena de estranhos – precariamente vestidos, de carnes rosadas – que arrastam malas e se sentam na Brasileira ao lado da estátua de Pessoa.
.../...O cúmulo acontece quando, com a SÁBADO na mão, vamos em busca dos nossos segredos mais bem guardados, pérolas escondidas no meio das montanhas, praias resguardadas entre falésias, lagoas nas faldas das serras, aldeias onde não há rede de telemóvel – e o que descobrimos? Turistas.
Antigamente isto não era assim.»
domingo, 10 de setembro de 2017
E falar português, vai desejar?
Paulo Varela Gomes, infelizmente já falecido, escreveu esta crónica há pouco mais de 7 anos. A situação a que alude mantém-se sem modificação. Vale a pena recordar. Com a devida vénia,
«Ora leiam, se fazem favor, a seguinte declaração de um militar da GNR a um dos telejornais de segunda-feira 19 de Julho último a propósito de uma acção na qual participara: "Detivemos alguns indivíduos que se dedicam ao furto de estabelecimentos de venda de veículos velocípedes simples." É uma pérola do português contemporâneo. Quer dizer que prenderam um grupo que assaltava lojas de bicicletas. Mas, é claro, da boca de um polícia nunca podem sair vulgaridades como "assaltar" ou "bicicleta". Eles falam policiês, um dos dialectos portugueses mais rebuscados que conheço. É até por isso que polícias e jornalistas dizem "a autoridade tomou conta da ocorrência", em vez de utilizarem uma expressão mais simples como, por exemplo, "chegaram os chuis".
Mas não são só os polícias. Vejam os estudantes do ensino superior. Também falam rebuscado. Nenhum utiliza o verbo "ter". Nenhum escreve uma frase como "a igreja tem uma abóbada de pedra", para citar um exemplo da minha área. Escrevem: "A igreja possui uma abóbada de pedra." Nem o verbo "fazer": dizem "a igreja de S. Vicente de Fora foi elaborada por Baltazar Álvares". Menos ainda o verbo "ser": escrevem "constitui um projecto". E nem pensar no verbo "pôr": dizem "coloca-se o caixilho".
Reparem também no modo como se eliminou pouco a pouco do português o verbo "querer". Os empregados perguntam-nos nos restaurantes: "E café, vai desejar?" "Querer" é aparentemente um acto demasiado assertivo para os portugueses, talvez até mal educado, tem-se um certo receio de querer ou de perguntar se alguém quer.
Os portugueses de hoje não querem, não são, não têm, não fazem. Desejam, constituem, possuem, elaboram. Só se exprimem verbalmente de duas maneiras: ou dizem "Eu não tenho palavras", ou mais valia que as não tivessem, porque arrebitam a linguagem até ao ridículo.
A utilização saloia do inglês também é típica destes tempos: por que é que escrevemos "on-line"quando não dava trabalho nenhum escrever "em linha"? Olhem em volta para os anúncios: ele é o "retail park", o "express shopping", as férias "low cost" (esta é particularmente significativa: nenhum português faz férias de "baixo custo" ou "baratas"; mesmo que as passem na Cova do Vapor, passam-nas em inglês).
A melhor explicação para esta substituição do português pelo imbecilês é o novo-riquismo. Durante décadas (séculos), a maioria dos portugueses não tinha qualquer hipótese de se exprimir em público, com excepção do círculo familiar. Agora que essa hipótese existe constroem a linguagem como um parolo constrói a sua nova casa... E fazem idêntica figura de parvo.
Mas haja esperança: é bom sinal, por exemplo, que já estejam a desaparecer as bandas e cantores que cantavam em inglês. Nunca percebi se era o sonho de gravar o tal disco em Londres que lhes proporcionasse a fama mundial, se, como é mais provável, a incapacidade de escrever em português duas linhas que fizessem sentido.»
Paulo Varela Gomes, Historiador
Publicado em 2010-07-24 no jornal "Público"
sábado, 9 de setembro de 2017
sexta-feira, 8 de setembro de 2017
As energias que fazem mover o mundo
Este mapa-mundo interactivo revela em que proporção cada país utiliza os principais recursos energéticos disponíveis (combustíveis fósseis, energia nuclear ou energia renovável) para produzir electricidade.
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| Clicar na imagem para aceder à versão interactiva (via Gocompare.com) |
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
quarta-feira, 6 de setembro de 2017
terça-feira, 5 de setembro de 2017
segunda-feira, 4 de setembro de 2017
domingo, 3 de setembro de 2017
sábado, 2 de setembro de 2017
Na sala de espera do consultório médico
Por Philippe Botas
Estou sentado na sala. À espera. As paredes brancas transmitem calma que é interrompida pelo sonoro das conversas cruzadas entre os muitos que esperam. Não sou o único aqui. O jovem que em pé olha para a televisão fixa na parede. O pai que reclama com a senhora da secretaria porque tinha a consulta marcada para há 15 minutos. A idosa que suspira de impaciência por ainda faltar uma hora para o seu atendimento; ela sabe que é essa a hora, mas tenta a sorte ao vir mais cedo.
Na sala não há nenhum relógio. Olho para a mesa de brinquedos deslocada para o canto, onde uma menina pinta um livro. Recordo a minha infância. Momentos perenes. Sorrio ao divagar em lembranças de aventuras e desventuras.
Observo. Minutos após minutos o médico vem à sala chamar as pessoas que esperam. É jovem e veste a bata branca. Ao abrir as portas que guiam pelo corredor dos consultórios recebe as pessoas com um cumprimento. Não raras vezes é interrompido por alguém que quer “uma palavrinha”. Qualquer um percebe que cordialmente transmite a inconveniência desta interrupção. Mas há alguns bem insistentes que testam os limites da paciência.
A manhã avança e o médico continua no vai e vem. Ainda não fez uma pausa. Talvez tenha “engolido” um iogurte num intervalo entre consultas. Agora, a sua expressão demonstra algum cansaço. E percebo bem a razão. As solicitações além das marcações são diversas. Já atendeu uma pessoa que apareceu com queixas de dor no peito e orientou para cuidados hospitalares. Contei pelo menos quatro pessoas que fizeram bypass à secretaria e a quem teve que recomendar dirigirem-se à mesma. A assistente técnica foi pelo menos três vezes falar com o médico. Também o sistema informático não funcionou durante cerca de 30 minutos.
Estou na sala de espera e a minha consulta tinha hora marcada há 20 minutos. Há coisas que devo saber antes de julgar. Muitas das consultas estão marcadas com intervalos de 15 ou 20 minutos. O consultório é o último do corredor. O utente idoso com dificuldade na marcha demora o tempo necessário. A senhora que estava a reclamar do atraso, e entrou logo a confrontar indelicadamente o médico, ultrapassou bem o tempo de consulta.
Reflito. Compreendo que é necessário um tempo de consulta para garantir acessibilidade; para organizar o atendimento aos utentes. Julgo que ao médico deve ser dada a flexibilidade necessária para organizar o seu horário de acordo com as características do ficheiro. As imposições na limitação do tempo de consulta para períodos inferiores a 15 minutos são determinações que não consideram a realidade da atividade clínica. Só quem não conhece o contexto pode na sua arrogância comparar uma consulta médica com uma linha de montagem industrial. Estes tempos de consulta só podem ser determinados por cientistas que não conhecem ou não querem conhecer o terreno.
É a minha vez. O médico cumprimenta-me e desculpa-se pelo atraso. Retribuo com um sorriso de compreensão. Avanço para o consultório, sento-me e falo sobre o que me traz à consulta.
sexta-feira, 1 de setembro de 2017
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