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sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Também há "precauções desnecessárias" na pandemia: eis algumas

mercadona Archives - NiT

«Esperar dias para abrir cartas e embalagens, por exemplo, é um cuidado exagerado, segundo Rachel Graham, epidemiologista da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA. No entanto, de acordo com Graham e outros peritos, há outras precauções desnecessárias. 

1. Não é necessário usar luvas nas lojas 

O novo coronavírus não se propaga facilmente através de superfícies contaminadas, de acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). 

O uso de luvas – descartáveis ou não – pode parecer uma forma fácil de manter as mãos livres de uma potencial infecção. Mas as directrizes do CDC não recomendam o uso de luvas em estabelecimentos comerciais. 

As luvas podem, inclusive, dar uma falsa sensação de segurança, alertam os especialistas. É, por isso, recomendada antes a lavagem e desinfecção das mãos. 

2. Não se preocupe com a desinfecção de embalagens de alimentos – congelados ou não 

Em Agosto, funcionários chineses encontraram vestígios de covid-19 em embalagens de alimentos congelados. Mas essas descobertas provavelmente não são motivo de preocupação, segundo Michael Ryan, director executivo do Programa de Emergências de Saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS). 

“As pessoas não devem temer os alimentos, nem o seu acondicionamento ou processamento, nem a entrega de alimentos”, informou Ryan, numa conferência de imprensa no mês passado. 

Também Caitlin Howell, engenheira química e biomédica da Universidade do Maine, nos Estados Unidos, disse que é improvável que o vírus sobreviva em alimentos congelados. 

3. Colocar livros da biblioteca “de quarentena” durante 3 dias é muito 

Pesquisas conduzidas em Junho mostraram que as partículas virais desapareceram dos materiais comuns das bibliotecas após três dias. Os cientistas testaram a ‘vida útil’ do vírus em livros de capa dura e de papel comercial, bem como páginas de papel dentro de um livro fechado. 

Os resultados mostraram que, após um dia, o vírus desapareceu das capas de livros e, após três dias, o vírus era indetectável nas folhas e também nas sobre-capas. 

4. Não há necessidade de colocar o correio “de quarentena” 

Graham também não considera necessário isolar o conteúdo da caixa de correio, já que o risco de transmissão é baixíssimo. 

Além disso, as cartas estão sujeitas a temperaturas frequentemente altas, durante o Verão, nas caixas de correio, pelo que o calor provavelmente “secaria” qualquer vírus persistente, acrescentou a investigadora. 

5. Funcionários de limpeza e de reparação podem ir a sua casa 

Desde o início da pandemia, as pessoas têm evitado trazer hóspedes para dentro das suas casas. Mas a maioria dos especialistas diz que não há problema em permitir, ocasionalmente e com as devidas regras sanitárias, funcionários de limpeza e de reparação dentro de casa. 

6. É ok nadar em piscinas 

As piscinas não tendem a tornar-se pontos de contágio porque o novo coronavírus não se espalha pela água – especialmente não em piscinas com cloro, onde o químico “deve inactivar o vírus na água”, diz o CDC. 

“Em geral, os agentes patogénicos respiratórios não sobrevivem na água”, afirmou Joseph Eisenberg, epidemiologista da Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan, também em declarações ao ‘Business Insider‘.»

(Créditos: Mara Tribuna, "Executive Digest", 03/09/2020)

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Os 8 erros mais comuns no uso de máscaras, que nos colocam em risco


«Apesar de ser um elemento utilizado durante 80% do tempo que passamos fora de casa, existem ainda muitas pessoas que não usam corretamente as máscaras de proteção individual, bem como desconhecem como preservá-las de forma a torná-las 100% eficazes. 

Atendendo à recomendação da Organização Mundial da Saúde, as máscaras devem estar sempre connosco, serem usadas em espaços fechados e sempre que não é possível assegurar a distância social de segurança. Contudo, existem alguns cuidados para que não se tornem repositórios de patogénios. 

Segundo a lamasQ, empresa espanhola que produz máscaras com materiais 100% orgânicos, estes são os 8 erros mais comuns no uso da máscara. 

1. Negligenciar a higiene das mãos ao manusear a máscara é o erro mais comum. 

As mãos são o meio de transporte ideal para as bactérias, pois estão em contacto com um grande número de superfícies cheias de patogénios. Assim, antes de colocar e tirar a máscara, as mãos devem ser devidamente desinfetadas com sabão ou gel hidroalcoólico. 

2. Tirar a máscara para falar é outro dos erros mais comuns. 

Com o medo ou a insegurança de não sermos ouvidos corretamente, baixamos a máscara e anulamos por completo o esforço de a manter por tantas horas consecutivas. Está comprovado que a máscara não interfere no volume da voz. 

3. Abusar do tempo recomendado para cada tipo de máscara. 

Embora devamos usá-la em todos os momentos e o tempo de uso de cada tipo de máscara deva ser respeitado, não o fazemos desta forma. Os tempos corretos de uso seriam: para as cirúrgicas 4 horas, e algumas, que permitem a lavagem, pode ir até às 8 horas. 

4. Use a máscara sem cobrir 100% das áreas sensíveis à exalação e inalação de bactérias e vírus. 

Através de quedas em suspensão ou emitidas por outra pessoa na conversa. É importante que a máscara proteja bem o nariz e a boca. O erro é não cobrir totalmente a ponta do nariz até a área do queixo. 

5. Usar a máscara muito frouxa ou muito apertada para ter uma sensação de conforto também é um uso indevido geral. 

Isso significa que áreas desprotegidas são criadas nas laterais da boca e do nariz e, portanto, há o perigo de emissão e absorção de bactérias e vírus pela saliva. A máscara deve ser adaptada ao formato do rosto e da cabeça de cada pessoa. 

6. Armazenamento incorreto da máscara quando não está a ser usada. 

É comum ver pessoas que quando tiram a máscara, a colocam no bolso, na bolsa, seguram no cotovelo ou deixam pendurada no pescoço. O não armazenamento da máscara no local adequado pode causar contaminação e perda de função. 

7. A escolha de tecidos e materiais que não ofereçam proteção adequada, impeçam a respiração ou que dificultem a transpiração correta da pele 

As máscaras confecionadas em algodão 100% orgânico que reduz o efeito de fricção na pele, favorece a respiração da pele mais natural e portanto proporciona maior conforto, principalmente no uso contínuo. Evitando também dermatites. 

8. É vital lavar este acessório adequadamente após o uso ou descartá-lo se necessário.»

(Créditos: Sónia Bexiga, "Executive Digest", 28/08/2020)

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

A Feira do Livro de Lisboa "arranca"(?) hoje

Radialista - InfoEscola
"A Feira do Livro de Lisboa arranca hoje": ouvi esta frase hoje de manhã, numa das nossas mais populares estações de rádio. "Arranca" ??? Arranca para onde? Onde é que ela vai?

A abusiva utilização deste verbo "arrancar" é um dos múltiplos vocábulos em moda na nossa imprensa, mais na falada do que na escrita. Rádios e televisões utilizam-no ad libitum. Não há nada que comece, principie ou que tenha início, tudo "arranca": "arranca" o conselho de ministros, a conferência de imprensa, o jantar de homenagem, o ano escolar, etc.

Os responsáveis dos respectivos média também devem ouvir. Mas não fazem nada... Será que concordam com isto? 

domingo, 31 de maio de 2020

sábado, 23 de maio de 2020

Estão a aumentar as lesões da cabeça e do pescoço relacionadas com o uso do telemóvel


.../...«As lesões resultantes do uso do telemóvel têm sido cada vez mais relatadas, em grande parte no contexto de incidentes relacionados com a condução, mas outros mecanismos de lesão têm sido igualmente notificados. Os smartphones modernos são substanciais em tamanho e no peso e, em circunstâncias particulares, podem mesmo causar danos físicos, como as lacerações traumáticas acidentais da face. Estas lesões podem, por vezes, representar uma fonte significativa de carga de doença contribuindo para elevar níveis de ansiedade e diminuição da autoestima.

Estudos mostram que as lesões associadas ao uso do telemóvel são mais frequentes entre os adolescentes. A maioria dos projetos de saúde pública para a prevenção da doença alerta a população para o elevado risco do uso do telemóvel durante a condução. Mais recentemente, tem sido dado mais ênfase aos perigos associados aos jogos de expansão da realidade virtual, do qual é exemplo o Pokémon Go. Este tipo de jogos transformam o indivíduo na personagem principal do jogo e colocam-no a percorrer a via pública num cenário de jogo virtual, com risco inerente de acidentes por distração ou mesmo alheamento do que se passa à sua volta.
.../...
• Houve um aumento explosivo de lesões da cabeça e do pescoço relacionadas com o uso do telemóvel a partir de 2007, período que coincide com o lançamento do primeiro grande smartphone de sucesso no mercado americano, o iPhone (Apple Inc).
• O diagnóstico mais comum na análise realizada foi a laceração, seguida pela contusão e abrasão. Outro diagnóstico com elevada prevalência foi a lesão de órgão interno, onde se incluem o hematoma subdural e a contusão cerebral.».../...

[Créditos: Dra. Elisa Costa Moreira, Head and Neck Injuries Associated With Cell Phone Use, Revista de Medicina Desportiva, Maio de 2020 - N.º 11(3)

sábado, 11 de abril de 2020

A discriminação consentida: os idosos

Com a devida vénia, eis a crónica de opinião de Maria do Céu Patrão Neves, professora catedrática de ética da Universidade dos Açores, publicada hoje no jornal "Público",

«Faz agora um mês que os lares de idosos fecharam as portas a visitas, primeiro apenas em alguns distritos, depois em todo o país. Um mês passado registam-se mais de 60 óbitos em lares e mais de 1000 infectados (incluindo funcionários), sendo muitos os casos-limite como o do lar da Misericórdia, em Aveiro, em que faleceram 15 idosos e existem 80 infectados, mais 51 infectados em Vale de Cambra, mais 40 em Ílhavo, e sem que os demais idosos tenham um afastamento profiláctico… 15% dos óbitos por covid-19 correspondem a idosos que viviam em lares. Sabemos que a covid-19 atinge sobretudo os mais velhos, entre os quais se regista uma taxa de 10,7% para uma média nacional de 2,8%. Sabemos também que estas elevadas taxas se mantêm abaixo dos 27,6% de portugueses idosos, o que significa que se lhes tem conseguido prestar algum nível de protecção.

E, não obstante,os mais velhos, aqueles que são hoje o reflexo do nosso futuro, vivem sob uma dramática angústia, olhando para o seu passado, comparando-o com o seu presente e receosos com o seu futuro, sobretudo se vivem num lar. Antes de infectados já estavam sós, antes das portas fechadas já estavam marginalizados, antes do medo da covid-19 já estavam deprimidos por tantas formas de discriminação que os atinge paulatina e (talvez) imperceptivelmente…

Os mais velhos entre nós são, desde há muito, vítimas de uma discriminação que a covid-19 colocou a descoberto. Não temos, em Portugal, registos de indignidades como se verificaram em Espanha, onde o Exército encontrou lares com cadáveres nas camas ao lado de outros idosos vivos e abandonados; ou em que um grupo de idosos infectados, num processo de transferência de localização, foi apedrejado. Mas não posso deixar de pensar na intensa cobertura mediática de jovens europeus de origem asiática que protestavam contra a discriminação de que se sentiam vítimas quando a covid-19 se confinava à China. Em relação aos idosos impera o silêncio: o deles, que não reclamam, e o da sociedade, que cala e consente.

O “politicamente correcto” em relação a outros grupos sociais, distintos pelo género, etnia, religião, orientação sexual, etc., impõe-se como respeito pela dignidade humana, como reconhecimento do valor absoluto e incondicionado (não dependente de quaisquer características) da pessoa. O mesmo, porém, não se aplica aos idosos – na sua redução a uma característica, a idade –, à “geração grisalha” – na sua identificação pela cor (do cabelo). Há discriminação consentida em relação aos idosos. O comportamento negligente de muitos jovens durante a pandemia, evidencia-o; a afirmação, por parte de políticos norte-americanos, que a eventual morte de idosos pela covid-19 seria o contributo destes para uma economia que não pode parar é um atentado violento contra os direitos humanos e devia converter-se urgentemente num anacronismo social.

Mas a sociedade não questiona, nem se interroga; não se indigna, nem contesta. Tacitamente aceita que se afirme que, no caso de escassez de ventiladores, os maiores de 80 anos, ou 75, ou 70…sejam excluídos, apenas em função da sua idade cronológica. Ah, sim, é porque têm uma expectativa de vida inferior a outros – é um argumento de conforto. Mas então as pessoas valem mais ou menos consoante o número médio de anos de vida de que dispõem… E não vos parecerá estranho, incoerente e contraditório que, ao abrigo do princípio ético da dignidade humana que proíbe a avaliação de cada um pelas suas características pessoais, como (mais uma vez) o género, a etnia, a religião, a orientação sexual, etc., seja afinal aceite que julguemos o valor de alguns pela sua idade? Será que, afinal, a dignidade tem idade ou caduca com a idade?»

terça-feira, 3 de março de 2020

Ir ao fungo da questão

Quando, em 2009, no auge da crise económica mundial, a "McDonald's" deixou a Finlândia, um homem resolveu comprar um último hambúrguer com batatas fritas e guardá-lo. Mais de dez anos depois, o "petisco" apresenta um aspecto quase comestível e foi notícia em todo o lado.

Comida "de plástico" que não apodrece dá que pensar, não dá? E é também um óptimo pretexto para uma empresa rival traçar a diferença, se for bem aconselhada por cérebros criativos. A "Burger King" não demorou a encontrar terreno para se demarcar do poderoso concorrente e apresentou um comercial que vai directo ao assunto.

(Créditos: "Newsletter RTP - O Essencial", de 03-03-2020)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Fazer sestas no trabalho? A NASA diz que sim


Vários estudos mostram que as sestas aumentam a memória, melhoram o desempenho, fazem o cérebro funcionar melhor e reduzem o stress. Mas como definir o tempo ideal de uma sesta? A NASA dá a resposta.

O site Inc. revela que, de acordo com os especialistas da NASA que estudaram este tema, os pilotos que dormiram no cockpit durante 26 minutos melhoraram a sua atenção (54%) e apresentaram melhorias no desempenho no trabalho (34%), em comparação com os pilotos que não fizeram sestas.

E refere que, a menos que se tenha 90 minutos ou mais disponíveis, se deve evitar passar mais de meia hora a dormir ou o corpo entrará nas fases mais profundas do sono, dificultando o despertar e deixando-nos sonolentos por mais tempo.

De facto, até 26 minutos podem ser muito longos se precisar de entrar em acção com a mente clara ao acordar. A recomendação final da NASA são sestas entre 10 e 20 minutos.

E, se tem dificuldades em adormecer, descansar em silêncio com os olhos fechados por um período semelhante de tempo também ajuda a recarregar baterias.

Por isso, da próxima vez que estiver cansado no trabalho, durma (ou pelo menos tente). Em apenas 10 a 20 minutos, pode melhorar significativamente seu desempenho.

(Créditos: Margarida Lopes, em "Human Resources", 27Fev2020)

domingo, 5 de janeiro de 2020

Carne impressa em 3D para a nossa mesa

A indústria de produção de carne é uma das mais poluentes do mundo. Perante o agravamento das alterações climáticas, os consumidores procuram cada vez mais formas de nutrição alternativas.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Portugueses são mau exemplo no uso de telemóvel ao volante


Um estudo recente revela que três quartos dos condutores continuam a usar o telemóvel durante as viagens, muito mais do que espanhóis e britânicos, por exemplo. Apenas 13% dos condutores portugueses diz deixar completamente de lado o telemóvel quando pega no volante.

Um estudo recente, apoiado pela Prevenção Rodoviária Portuguesa, ("Global Driving Safety Survey", organizado pela Liberty Seguros), comparou o uso do telemóvel ao volante, incluindo mãos livres, com irlandeses, americanos, franceses, espanhóis e britânicos. De todos, os portugueses surgem claramente destacados : 74%.

(Créditos: Euronews)

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Um gago dificilmente consegue passar a sua mensagem

No decurso da minha formação académica tive como mestre um prestigiado Professor Catedrático que sofria de gaguez, não tão acentuada como a da deputada Joacine Katar Moreira. Apesar da vasta e sólida bagagem de conhecimentos desse professor, as suas aulas teóricas, felizmente raras, eram angustiantes, bastante difíceis de suportar...

Eis, com a devida vénia, a crónica de opinião de Vítor Rainho, intitulada "A gaguez de Joacine e a igualdade que defende", publicada hoje no "Jornali",

«O presidente da Assembleia da República já admitiu que o Parlamento terá de ter tolerância com o tempo de Joacine Katar Moreira, atendendo à sua gaguez. A medida, como é óbvio, é louvável, mas não resolve nenhum problema. A deputada, como se tem visto, enerva-se mais do que o habitual e não consegue, de maneira alguma, passar a sua mensagem. Tanto assim é que o Livre, o partido que representa, se sentiu na necessidade de enviar para as redações a intervenção de Joacine. O Parlamento é o local de excelência da oratória, embora por vezes muito fraca, e um gago dificilmente consegue passar a sua mensagem. Irá a Assembleia da República assistir sistematicamente a um “filme” confrangedor? Não sei se legalmente será possível pôr outra pessoa do partido a ler os discursos da deputada, mas fazia todo o sentido pois, dessa forma, todos perceberão a mensagem. Mensagem essa, diga-se, que deixa muito a desejar no que à democracia diz respeito. Numa entrevista ao Público, a deputada defende que sem “igualdade não há liberdade”. Não sei se foi buscar essa máxima à revolução socialista, mas calculo que sim. Uma sociedade sem classes, em que os dirigentes do povo ditariam a sua vontade. Olhando para a História, que o Livre tanto quer reescrever, bem podem começar pelo comunismo, um dos sistemas que mais defendeu a igualdade e que acabou na matança de milhões de pessoas, como muito bem reconheceu o Parlamento Europeu, que o equiparou ao nazismo e ao fascismo. Joacine pode defender o que muito bem entende porque vivemos em democracia, mas o seu discurso revela bem a sociedade que defende.

P. S. Num notável artigo no Público, António Barreto escreveu: “Aqueles que, hoje, em Portugal e no mundo, lutam para culpar os homens, os brancos, os adultos, os ocidentais, os cristãos, os ricos, os heterossexuais, os democratas, os capitalistas e os militares estão evidentemente a tentar criar uma ortodoxia, uma cultura dominante e, sobretudo, a construir um ‘credo’ que permite condenar e proibir, assim como limitar a liberdade de expressão”. Não posso estar mais de acordo.»

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

O perdão e o remorso, a opinião de António Barreto

«A moção aprovada há dias pelo Parlamento Europeu e apenas contrariada, ao que parece, por simpatizantes do comunismo e do fascismo, condena um e outro, quase os equipara, de ambos diz que massacraram milhões, o que é verdade, mas cuja equiparação é absolutamente inútil e patética. Sabe-se hoje que, sem contar as vítimas da guerra, o nazismo alemão causou a morte de dez milhões de pessoas e o comunismo russo perto de vinte. Fazer um ranking destas mortandades é ridículo. Estabelecer qual deles é pior é obtuso. Ambos são hediondos, ponto final. Equipará-los é inculto. São muito diferentes nos seus propósitos, mas são ambos medonhos nos meios e nos resultados. Declarar que o capitalismo é muito pior, pois desde há trezentos anos já morreram, nas fábricas e na guerra, com a indústria e a escravatura, muitas centenas de milhões de pessoas, é ignorante. E também não nos ajuda a compreender o mundo, mas tão só a odiá-lo e a descrer da humanidade. Anunciar que são iguais é tão idiota quanto afirmar que são radicalmente diferentes.

Julgar e condenar ou absolver a história parece inútil. Mas não é. Há sempre uma “agenda oculta” e um propósito implícito. Aqueles que, hoje, em Portugal e no mundo, lutam para culpar os homens, os brancos, os adultos, os ocidentais, os cristãos, os ricos, os heterossexuais, os democratas, os capitalistas e os militares estão evidentemente a tentar criar uma ortodoxia, uma cultura predominante e, sobretudo, a construir um “credo” que permita condenar e proibir, assim como limitar a liberdade de expressão. Fazem-no com a mesma intolerância e o mesmo preconceito com que outros, há bem pouco tempo, desprezavam os negros, consideravam as mulheres inferiores, garantiam que os jovens eram estúpidos, que os pobres eram culpados da sua condição, que os homossexuais eram doentes, que os chineses cheiravam mal, que os árabes matavam e que os ciganos roubavam.

Julgar a história, condenar o passado e condicionar o pensamento: eis três objectivos dos virtuosos do presente. A discussão sobre o alegado Museu Salazar foi, à nossa escala, um tema que permitiu exibir os mesmos reflexos condicionados. As polémicas à volta do Museu dos Descobrimentos tiveram o mesmo sentido. Curiosamente, nestes dois casos, tal como no resto do mundo e para outras matérias, os intolerantes estão a levar a melhor.

Decretar que não houve massacre de arménios perpetrado por turcos, proibir que se diga que o Holocausto não foi assim tão mau como dizem, culpar os judeus pela morte de Jesus Cristo, garantir que não houve na Polónia massacres de comunistas e de judeus e negar que tenha existido o Gulag na União Soviética são gestos prepotentes, mas muito em voga. Proibir o estudo de Darwin revela estupidez, mas é o que se faz em várias latitudes. Substituir o estudo, o debate público e a liberdade de expressão pelo decreto-lei é atitude hoje louvada por muitos, sempre com intuito oportunista de estabelecimento de um poder autoritário.

Ao mesmo tempo que os decretos que definem o que foi e não foi na história, surgiu também, nas últimas décadas, o imperativo do pedido de perdão. Pessoas, povos, Estados, políticos e igrejas pedem perdão. Pedem perdão por todos os males e por factos de há dez, cem ou mil anos. Reinterpretam a história, inventam culpados, identificam os maus e as vítimas e pedem perdão a quem lhes convém.

Papas já pediram perdão aos judeus. Alemães também, mas por outras razões. Muitos europeus pediram perdão aos árabes, aos muçulmanos e aos negros pelo colonialismo e pela escravatura. Americanos pediram perdão aos índios. Espanhóis pediram perdão aos incas, aos azetecas e aos maias. Portugueses ainda não pediram perdão aos africanos, aos indianos e aos índios, mas vai acontecer em breve. Já houve portugueses que pediram perdão aos judeus. Franceses pedem perdão aos africanos, aos árabes e aos vietnamitas. Há Ingleses que se preparam para pedir perdão ao mundo inteiro, dos índios aos indianos, dos negros aos muçulmanos.

Já se pede perdão aos negros pela escravatura, aos índios pela conquista, aos indianos pelas descobertas, aos chineses pelas guerras, aos mouros pelas expulsões e aos árabes pelos massacres. E também está nas cartas que se vai pedir perdão aos republicanos pela monarquia e aos socialistas e comunistas pelo Estado Novo.

Por que diabo hei-de pedir perdão aos escravos, aos índios, aos indianos, aos egípcios, aos judeus e aos mouros? É que se as culpas não forem minhas, são objectivas e históricas. Se não foste tu, foram os teus avós. Ou tetravós. Se não foste tu, foram os cristãos. Ou os brancos. Ou os portugueses. Ou os europeus. Ou quem quer que seja. Mas de uma coisa podes estar seguro: és culpado, deves ter remorsos, tens de pedir perdão e, eventualmente, pagar reparações, conceder privilégios, bater no peito, deixar passar à frente e recolher-te à tua insignificância dado que alguém, algures e em qualquer tempo, maltratou, roubou, oprimiu e torturou. Evidentemente, as culpas têm momentos históricos e objectos precisos. Hoje, por exemplo, pedir-se-á perdão aos negros africanos e aos muçulmanos (desde que não sejam ricos…), mas não aos retornados, aos repatriados, aos frades, aos monges, aos aristocratas e aos proprietários.

Decretar o bem e o mal, condenar a história com cem ou mil anos, culpar por lei acontecimentos históricos e pedir perdão por factos longínquos: é estúpido, mas é moda. Vai ser difícil afastar esta praga: estabelecida uma ortodoxia do pensamento, dura sempre anos. Pena é que o pluralismo e a liberdade fiquem a perder. Mas ganha a moda que é a de pedir perdão pelo que outros fizeram. Pedir perdão pelo que antepassados, não importa quão remotos, fizeram ou beneficiaram com o mal e o sofrimento de outros. Pedir perdão a escravos que serviram mestres, a negros usados pelos brancos, a soldados que obedeceram a oficiais, a trabalhadores explorados por patrões, a mulheres espancadas pelos homens, a jovens frustrados por adultos, a judeus queimados por arianos, a árabes humilhados pelos cristãos, a alunos dominados por professores…

Aos espíritos intolerantes não interessa saber que a culpa, o castigo e o perdão se dirigem aos indivíduos, por vezes associações ou grupos, nunca povos ou etnias.

Fernão Lopes garante que Álvaro Pais disse ao Mestre de Avis que uma das receitas para se ser rei e exercer o poder consistia em “perdoar a quem nunca te fez mal”! Esta agora é uma nova versão: “peço perdão a quem nunca fiz mal”!»

(Créditos: António Barreto, sociólogo, crónica de opinião publicada no jornal "Público" de 27 de Outubro de 2019)