... aproveito para "ressuscitar" uma antiga fotografia onde me encontro com o meu segundo cão, cujo nome infelizmente não consigo recordar. A meu lado, a minha saudosa e querida mãe e o meu, também já falecido, irmão.
Porque na Vida há maus e bons momentos. Porque no dia-a-dia há acontecimentos que nos afectam positiva ou negativamente.
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quarta-feira, 26 de agosto de 2026
quarta-feira, 1 de abril de 2026
sexta-feira, 13 de março de 2026
Dia Europeu de Sensibilização contra a Violência sobre Médicos e outros Profissionais de Saúde
Ontem, dia 12 de Março, assinalou-se o "Dia Europeu de Sensibilização contra a Violência sobre Médicos e outros Profissionais de Saúde". O Bastonário da Ordem dos Médicos apelou para uma atitude social e política de tolerância zero contra todas as formas de violência e enquadrou a intervenção da instituição para apoiar os médicos que sejam vítimas dessas situações intoleráveis de agressão, independentemente da forma que assumam.
quinta-feira, 27 de novembro de 2025
Estudo conclui que as tatuagens têm efeitos prejudiciais no sistema imunitário
As tatuagens podem deixar sequelas no organismo humano, enfraquecendo as suas defesas e deixando-o mais exposto a infecções ou tipos de cancro. A conclusão é de uma investigação realizada ao longo de sete anos por 12 grupos de investigação internacionais.
| (Foto: Peter Gercke - AFP) |
Para além de permanentes na pele, as tatuagens podem causar danos definitivos no sistema imunitário do ser humano. As conclusões são de um estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, liderado por Santiago F. González, do Instituto de Investigação Biomédica ligado à Universidade da Suíça italiana.
A investigação indica que, logo após a realização de uma tatuagem, a tinta alastra-se rapidamente pelo corpo humano e, em poucas horas, acumula-se em grandes quantidades nos gânglios linfáticos, órgãos vitais do sistema imunitário, avançou esta quarta-feira a agência noticiosa espanhola EFE.
"Dentro dos gânglios linfáticos, as células imunitárias conhecidas como macrófagos capturam activamente todos os pigmentos, desencadeando uma resposta inflamatória em duas fases", explicou a universidade suíça em comunicado citado pela agência Lusa.
A primeira fase aguda dura cerca de dois dias. Segue-se “uma fase crónica", que pode "durar anos" e durante este período o sistema imunitário fica enfraquecido, "aumentando potencialmente a [sua] susceptibilidade a infecções e cancro".
De acordo com os investigadores, os macrófagos, células que actuam em defesa do corpo na limpeza de detritos e na reparação de tecidos, não conseguem cumprir a sua função e eliminar a tinta, sobretudo a vermelha e a preta, como fariam com outros agentes patogénicos. As células acabam por morrer no decorrer do processo.
"Consequentemente, a tinta permanece nos gânglios linfáticos, num ciclo contínuo de captura e morte celular, afetando progressivamente a capacidade de defesa do sistema imunitário", conclui a pesquisa realizada ao longo de sete anos por 12 grupos de investigação internacionais, citada pela EFE.
O comunicado da universidade avança ainda que quase uma em cada cinco pessoas no mundo tem pelo menos uma tatuagem.
(Fonte da notícia: RTP/actualizado em 26 Novembro 2025, 20:22)
sábado, 8 de novembro de 2025
No SNS há mais de 80 consultórios médicos dentários fechados
Portugal tem mais do dobro do rácio de médicos dentistas recomendados pela "Organização Mundial de Saúde", mas é um dos países da União Europeia "com piores indicadores de saúde oral".
Segundo o bastonário dos dentistas, Miguel Pavão, entrevistado na véspera do início do 34.º Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas, existem mais de 80 consultórios dentários instalados com verbas do "Plano de Recuperação e Resiliência" encerrados devido à não-contratação de médicos dentistas que há anos reclamam uma carreira.
sexta-feira, 25 de abril de 2025
terça-feira, 3 de dezembro de 2024
terça-feira, 15 de outubro de 2024
A evolução das tendências sobre como os casais norte-americanos se têm conhecido, de 1930 a 2024
O conjunto de dados tem por base um artigo da "Universidade de Stanford" (Social Science Data and Software Social Science Data Collection).
quarta-feira, 29 de maio de 2024
Conceitos e definições relacionados com o género e o sexo
SEXO - definido pelas características cromossómicas, hormonais e anatómicas que levam à atribuição de sexo masculino ou feminino a um determinado individuo.
GÉNERO - conjunto de características e condutas que, numa determinada sociedade, são atribuídas de modo distinto a homens e a mulheres.
IDENTIDADE DE GÉNERO - percepção intrínseca de uma pessoa ser homem, mulher ou ter alguma identidade alternativa ou combinação de várias (transgénero, queer, etc.). A identidade de género de uma pessoa pode ou não corresponder ao sexo atribuído à nascença.
EXPRESSÃO DE GÉNERO - qualquer forma de expressão pela qual cada pessoa manifesta a sua pertença de género, através da aparência física, dos comportamentos de interacção com os outros e da linguagem.
PAPEL DE GÉNERO - comportamentos, papéis, actividades e outros atributos que são socialmente construídos numa determinada sociedade, entendidos como femininos e masculinos.
DISFORIA DE GÉNERO - refere-se ao sofrimento que pode acompanhar a incongruência entre género expresso e o género atribuído à nascença.
NÃO CONFORMIDADE DE GÉNERO/VARIABILIDADE DE GÉNERO - não enquadramento face às normas culturais atribuídas a um determinado género, naquilo que diz respeito à identidade, aos papeis ou à expressão pessoal de género.
TRANSEXUAL - pessoa que deseja mudar ou já mudou as suas características sexuais primárias e/ou secundárias através de intervenções médicas (terapia hormonal e/ou cirurgia) de feminização ou masculinização.
TRANSGÉNERO - adjectivo aplicado a um grupo diversificado de indivíduos que transitam ou transcendem as categorias de género culturalmente definidas. A identidade de género das pessoas transgénero difere em vários graus do género atribuído à nascença.
domingo, 19 de maio de 2024
quinta-feira, 25 de abril de 2024
A miséria continua, se é que não aumentou
«Eu não tive muitas expectativas em relação ao 25 de Abril. Para mim foi essencialmente um movimento corporativo, ditado, em parte, pelo cansaço, no Corpo de Oficiais, em relação à guerra. Um movimento com o qual o governo de Marcelo Caetano não soube lidar, ora concedendo, ora reprimindo, de forma indecisa, contraditória e pouco eficaz.
Para mim e para os que, nos anos sessenta, acreditávamos num projecto de nação plurirracial e pluricontinental, pela qual tinham combatido e morrido alguns dos nossos amigos, para os que éramos e somos, antes do mais, nacionalistas, o 25 de Abril foi o fim desse ideal, desse projecto, do que agora nos aparece como uma utopia. Por isso não tínhamos muitas expectativas.
Mas o geral dos portugueses, que acreditaram na letra das promessas de Abril, esperavam, com o fim do regime autoritário e a chegada da democracia política, uma sociedade mais justa, uma vida melhor, para eles e para os seus filhos. Cinquenta anos passados, não creio que devam estar muito contentes.
A miséria continua, se é que não aumentou; e sobretudo, há cinquenta anos, esperava-se uma vida melhor para as novas gerações na maioria das famílias. Hoje, os filhos têm a expectativa de uma vida mais difícil e pior do que a dos pais. Os salários mínimos e médios são dos mais baixos da Europa e os serviços públicos entraram em crise, mesmo o Serviço Nacional de Saúde, que chegou a ser das poucas excelências do país e do regime.
Não temos censura prévia, mas poucas vezes se viu uma tão grande uniformidade de opiniões em tudo o que tem alguma importância, em política externa ou interna. E a dissidência, que dantes era interdita, continua a sê-lo, embora por processos mais sofisticados e sob a aparência de pluralidade.
Mas como, para o mal e para o bem, acabamos sempre por sofrer a influência da Europa, a nova vaga nacionalista, mais conservadora ou mais popular, já aí está e pode vir a trazer algum equilíbrio.
Quanto às novas gerações, não tenho idade nem procuração para falar por elas. Mas, a julgar pelas indicações da sociologia eleitoral, creio que as novas gerações são mais livres da propaganda do regime e da sua influência, que é muito televisiva. Vejo isso também pelo contacto que vou tendo, em termos pessoais. Apesar dos dispositivos orwellianos que, com o aproximar do meio século do golpe militar, se concentram em pintar os horrores do regime e o PREC como um período revolucionário, heroico e generoso, vejo que muitos dos mais novos – pelo menos os que têm alguma independência – não se deixam enganar e são críticos.
Isso deixa-nos a nós, mais velhos, uma certa esperança, sobretudo aos que sempre procurámos preservar um juízo objectivo da História e das realidades das coisas e nunca nos importámos muito de ser uma minoria marginalizada.»
(Artigo de opinião do politólogo Jaime Nogueira Pinto, publicado no jornal "Ionline" do dia 23/04/2024)
quinta-feira, 25 de janeiro de 2024
quarta-feira, 6 de dezembro de 2023
Haverá dentistas a mais em Portugal?
Número de dentistas com inscrição suspensa na Ordem atingiu o máximo em 2022
«O número de dentistas com inscrição suspensa na Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) atingiu os 2.077 em 2022, o que corresponde ao valor mais elevado de sempre e a um crescimento de 14,2 face a 2021.
Os dados fazem parte do estudo ‘Números da Ordem’ hoje divulgado pela OMD, que mostram que 53,1% destes dentistas suspenderam a inscrição para trabalharem no estrangeiro.
Em 2022, verificou-se o maior aumento anual de pedidos de suspensão da Ordem, com um total de 258 dentistas a fazê-lo.
“Só em três anos houve um aumento na ordem dos dois dígitos, ainda assim muito abaixo dos valores de 2022”, nomeadamente em 2015, com 102 inscrições suspensas (+10,3%), em 2016, com 119 (10,9%) e em 2019, com 172 (12,2%).
No final de 2022, a OMD registava 12.706 médicos dentistas com inscrição ativa para o exercício da profissão em Portugal, mais 3,8% (471) comparativamente a 2021.
“Esta é a realidade da medicina dentária em Portugal. Apesar dos mais de 2.000 profissionais que têm a inscrição suspensa, e dos mais de 50% que decidiram trabalhar no estrangeiro, o número de médicos dentistas habilitados exercer a profissão em Portugal continua a aumentar”, alerta o bastonário da OMD, Miguel Pavão, citado em comunicado.
Para Miguel Pavão, é uma situação preocupante, porque se estão “a formar profissionais cujo futuro no país é cada vez mais precário e cuja solução é sair para outras paragens”.
O estudo também demonstra que “Portugal está, ano após ano, a afastar-se cada vez mais dos valores de referência apresentados pela Organização Mundial da Saúde” de um médico por 2.000 habitantes.
“Se, em 2019, Portugal tinha um médico dentista por cada 918 habitantes, no ano passado registou um por 814”, salienta.
Das 25 regiões identificadas, apenas cinco estavam dentro dos valores considerados aceitáveis pela OMS (Oeste, Beira Baixa, Lezíria do Alentejo, Alto Alentejo e Alentejo Central) e duas tinham falta de médicos dentistas (Alentejo Litoral e Baixo Alentejo).
Nas restantes, há dentistas a mais, sendo a Área Metropolitana do Porto (1 para 576), Viseu Dão Lafões (1/624) e Região de Coimbra (1/726) as que apresentam os números mais preocupantes.
Terras de Trás-os-Montes é a única que regista evolução contrária às restantes 24 regiões: passou de 1/819 no final de 2021, para 1/845 no final de 2022.
“É um imperativo alertar os candidatos ao curso de medicina dentária para as condições que vão encontrar quando entrarem no mercado de trabalho”, defende Miguel Pavão, adiantando que, com o estudo, tem-se assistido “a um agravar contínuo da situação em Portugal”, razão pela qual a OMD insiste com “as várias entidades para a urgência de uma revisão das políticas de ensino e formação em Portugal”.
Com base nos números fornecidos pelas instituições do ensino superior, as previsões da OMD apontam para um crescimento anual de membros ativos na ordem dos 3,1%.
Em 2026, existirão 14.359 dentistas com inscrição ativa na Ordem, ou seja, um rácio de 1 para 720, fazendo com que Portugal se afaste ainda mais da cobertura recomendada pela OMS.
O estudo reúne num só documento os grandes números, estimativas e tendências da profissão. Todos os números resultam da base de dados da própria OMD, à data de 31 de dezembro de 2022.»
(Fonte da notícia: LUSA/HN, 05/12/2023)
terça-feira, 30 de maio de 2023
86% dos jovens portugueses estão viciados nas redes sociais, acima da média europeia
«O número de jovens portugueses viciado nas redes sociais é superior à média europeia. Um estudo sobre o impacto destas plataformas na saúde mental revelou que 86% dos jovens portugueses admite estar viciado, face aos 78% da média europeia. Além disso, 90% já as utiliza desde os 13 anos.
O estudo hoje divulgado, desenvolvido pela Dove em Portugal, Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Brasil, Estados Unidos, Canadá, inquiriu 1.200 jovens e pais em Portugal, e concluiu que 80% dos jovens prefere comunicar pelas redes sociais do que pessoalmente.
Dois em cada cinco jovens reconhecem que as redes sociais têm impacto negativo na sua saúde mental, três em cada quatro viram conteúdos que mostravam “corpos perfeitos e irrealistas” e concordam que as redes sociais têm o poder de os fazer querer mudar a sua aparência, e cerca de metade (45%) observou conteúdos que incentivam comportamentos de restrição ou distúrbio alimentar.
Quanto aos pais, 45% sentem-se culpados por não protegerem suficientemente bem os filhos do que veem e ouvem diariamente online. 52% acredita que as plataformas têm mais poder para moldar a autoestima e confiança dos seus filhos do que eles enquanto pais e 40% confirma que os conteúdos têm impacto negativo na saúde mental. Além disso, mais de 85% concorda que as redes sociais precisam de mudar e que é necessário adotar leis para responsabilizar as plataformas pelos danos que estão a causar à saúde mental dos jovens.
O trabalho agora conhecido é apoiado no lançamento de uma petição internacional em colaboração com a Mental Health Europe, uma rede europeia que trabalha na prevenção de problemas de saúde mental, que pretende levar o tema da segurança ‘online’ dos jovens ao Parlamento Europeu e legislar as redes sociais.»
*Pesquisa e texto pela jornalista estagiária Raquel Almeida. Edição pela jornalista Ana Maria Pimentel
*Com Lusa
quinta-feira, 18 de maio de 2023
Ginguba
Com a devida vénia, a crónica da rubrica "Cidadania Impura", de Valter Hugo Mãe, publicada na "Notícias Magazine" desta terça-feira,
«Em Luanda, as pessoas dos prédios melhores trazem em seu redor uma nuvem de meninos pedindo e oferecendo o serviço de escovar sapatos. Quase sempre pessoas brancas, com seus empregos estáveis e suas vidas no centro mais bonito da cidade, têm maior facilidade em pagar algo, ainda que a multidão milionária de outrora tenha acabado. Os meninos precipitam-se sobre quem sai dos prédios com suas súplicas e seria necessário ser um banco suíço para acudir a tanta declaração de fome.
Não vejo meninas. Talvez as meninas fiquem mais perto de suas casas, a medo de tudo, que o mundo dos homens é um horror para elas, talvez possam estar nas escolas. Os meninos trazem suas caixinhas de madeira e seus rostos aflitos, e mais aflitos se mostram quando descemos com nossas roupas claras e o perfume dos repelentes de insectos. Alguns meninos julgam que assim é o odor dos frascos da Chanel. As pessoas francesas devem andar por Paris todas a cheirar assim.
Ajudar estas crianças é um exercício de escolhas rápidas. Tenho muito a convicção de que não mudarei Angola mas também me sentiria um bicho se não fosse sensível a um ou outro pedido, ao corpo débil de alguns meninos que aparecem de olhos turvos. Talvez sejam os que começam apenas a sofrer. Os outros podem já ter sofrido tanto que não saibam chorar. Não vou sabê-lo com facilidade. Nada se faz fácil aqui.
Levo algumas notas soltas e não quero nada com sapatos. Caminho à pressa para que fiquem só aqueles que não podem desistir. E depois vou escutando o que dizem e, normalmente, uns corrigem os outros, acusam-se, procuram abater o adversário com argumentos até deselegantes. O certo é que não quero premiar os agressores, quero saber dos que parecem ter maiores responsabilidades. Algumas destas crianças, afinal, têm onze ou doze anos, e são pais. Quando discutem entre eles, falam dos filhos, de como os seus filhos estão doentes.
A vida destes meninos é toda à deriva. Luanda atrai milhões de pessoas na esperança de uma sobrevivência mais digna mas, à falta de tudo, na aridez da cidade, sobretudo as pessoas dos bons prédios são a árvore de onde pode cair o fruto. As matas férteis foram trocadas pelo casco da cidade onde a generosidade que resta é a colheita que pode acontecer.
Um menino disse que quem vem sempre tem os sapatos empoeirados. Quase todas as ruas são de terra batida e não é bonito entrar nas empresas com os pés sujos. Depois, explicou, poderiam vender ginguba, porque é muito barata e algumas pessoas enganam a fome de um almoço só com aquilo. No entanto, é melhor limpar sapatos. Porque isso mantém o emprego. A fome, de qualquer jeito, não vai acabar. Podem sempre comer amanhã.»
terça-feira, 26 de julho de 2022
terça-feira, 19 de julho de 2022
Os filhos são do Estado (?)
Com a devida e merecida vénia, eis o artigo de opinião do escritor João Cerqueira, publicado hoje online pelo semanário "Nascer do Sol",
«A disciplina de Cidadania e Desenvolvimento pretende criar novos cidadãos de todas as categorias de género expurgados dos preconceitos burgueses.
Portugal é um país deveras estranho onde acontecem milagres, fenómenos sem explicação e pais de Famalicão.
O que terá passado pela cabeça dos pais dos alunos de Famalicão que impediram os seus filhos de frequentar a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento? Ter-se-iam convencido, apenas por os terem colocado neste mundo, os terem criado, educado, amado e acompanhado até agora, ou seja apenas por serem verdadeiros pais, que sabiam o que era melhor para os seus filhos? Ter-se-iam convencido de que estavam em condições de decidir o futuro deles? Como é possível que no século XXI alguns pais, ou qualquer cidadão, possa julgar que sabe mais do que Estado? Como é possível alguém atrever-se a pensar que pode escolher o rumo da sua vida e dos seus filhos, realizar-se e alcançar a felicidade sem a orientação e os conselhos do Estado?
É demasiada arrogância e atrevimento. Acaso dispomos de inteligência suficiente para distinguir o bem e o mal? Seremos mesmo mais inteligentes do que um babuíno? Para tudo que seja mais complicado do que o enredo de uma telenovela, existe o Estado – o nosso Pai omnipresente que nos salva das tentações e garante a felicidade.
Eu nunca educo a minha filha sem antes ler o Diário da República e consultar o programa de Cidadania e Desenvolvimento. E os resultados, quanto ao seu despertar político, ativismo cívico e desobediência pacífica, têm sido extraordinários. Noutro dia, quando lhe disse para mastigar com a boca fechada, logo me perguntou:
– Tens a certeza que isso é constitucional e está de acordo com os valores progressistas? O povo come de boca aberta e arrota. Há algo de fascista nessa imposição de ter boas maneiras à mesa.
Fui logo consultar as fontes e, apesar de não ter encontrada nada sobre etiqueta e aprumo, dei-lhe o benefício da dúvida.
Se o Estado tem de proteger menores em risco, evitar que sofram abusos e sejam assassinados, então deve atuar antes que tal aconteça. Tal como o Homem Novo Soviético e o projeto de substituição integral da população de Pol Pot, a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento pretende criar novos cidadãos de todas as categorias de género expurgados dos preconceitos burgueses que tanto deformaram as cabeças dos seus pais e dos seus avós. Obviamente, não se pode confiar a esses mesmos pais e avós, cheios de vícios incutidos pela educação salazarista, a frequência de tascas, a visualização do Pátio das Cantigas e a provável iniciação sexual com senhoras que alugam as carnes a educação dos seus filhos e netos.
No mundo belo e cheio de amor que se pretende construir, as famílias deverão apenas ocupar-se do corpo dos filhos, alimentando-os, colocando-os no penico e dando-lhes banho, ficando a cabeça à guarda do Estado. Portanto, tendo em conta o lixo com chegam às escolas, deve-se assumir sem complexos que se trata mesmo de uma lavagem ao cérebro. E um ano de mangueirada e lixívia progressista será suficiente para operar maravilhas: rapazes poluídos de masculinidade tóxica desejarão cortar a pilinha; meninas que brincam com bonecas sonharão com uma barba rija; e não haverá ninguém que não se envergonhe de ser branco.
Depois da catequese, a comunhão solene.
Tivessem Hitler e Mussolini frequentado as aulas de Cidadania e Desenvolvimento e não teria havido da Segunda Guerra Mundial. Ambos ter-se-iam tornado cidadãos exemplares: Hitler seria um ativista dos direitos humanos; Mussolini teria trocado Clara Petacci por um Balilla.
Ainda assim, a disciplina pode ser aperfeiçoada com a introdução de um projeto final que sintetize toda a matéria chamado: Como Votar Corretamente. Neste projeto, os orientadores deverão mostrar aos alunos que os partidos à direita do PS são – como certamente a maioria deles já percebeu – uma aberração do sistema democrático. Depois, entre os três partidos progressistas que desejam salvar o mundo, há um que é muito melhor do que os outros. Os novos homens, as novas mulheres e os novos não-binários só poderão votar nesse. Os que chegarem a esta conclusão, terão nota máxima no projeto – ainda que só escrevam duas linhas com um erro em cada palavra. Os outros, reprovam. Mas estou certo de que os responsáveis pelo Ministério da Educação já devem andar a pensar nisso.
Entretanto, o Ministério Público afirmou que, caso não frequentem a disciplina, os dois alunos poderão ser vítimas de bullying. É exatamente o contrário. Sem Cidadania e Desenvolvimento, os dois alunos, tendo em conta os seus progenitores, irão decerto tornar-se dois Alex da Laranja Mecânica. Receio que ainda este Verão peguem em caçadeiras e desatem aos tiros no centro de Famalicão ou desviem um avião da TAP para a sede da National Rifle Association no Texas.
Pior ainda, não irão questionar a sua orientação sexual e jamais votarão no partido certo.
Portanto, exige-se a retirada imediata da guarda aos pais dos alunos de Famalicão para que possam frequentar a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento onde aprenderão – se necessário acorrentados e algemados - os valores da liberdade, tolerância e respeito pela diferença. E quanto aos dois mariolas a quem chamam pais, é uma pena não estarmos no Camboja de Pol Pot.»
quinta-feira, 14 de julho de 2022
Um terço das vagas para médico de família ficou por ocupar, mas o governo está satisfeito...
«O concurso aberto em Junho para colocar médicos de família nos centros de saúde terminou com cerca de um terço das vagas por ocupar em todo o país. Estão “prontos para ser colocados” 272 novos médicos de família do primeiro concurso deste ano para vinculação de jovens especialistas em que foram disponibilizadas 432 vagas no total, revelou a secretária de Estado da Saúde esta quarta-feira à tarde no Parlamento. Com a colocação dos jovens médicos haverá “um incremento bastante expressivo da cobertura de utentes” a nível nacional, sublinhou Fátima Fonseca. Em Junho, havia mais de 1,4 milhões de pessoas sem médico de família atribuído em Portugal.
A secretária de Estado adiantou os números finais do primeiro concurso deste ano horas depois de o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, ter anunciado que, no final do processo, apenas “60%” das vagas deste concurso foram preenchidas, tendo-se sucedido “dezenas” de desistências de candidatos ao longo dos dias.
Roque da Cunha destacou ainda que, na região de Lisboa e Vale do Tejo, o resultado foi “mais crítico”, uma vez que “metade das vagas ficaram desertas”. Mas a secretária de Estado da Saúde não especificou dados por regiões durante a audição na Comissão de Saúde. Fátima Fonseca acentuou que as vagas que ficaram por preencher ainda podem vir a ser ocupadas através de concursos a desenvolver pelas administrações regionais de saúde.
O concurso que foi aberto em 17 de Junho disponibilizou um total de 432 vagas para contratação de especialistas em medicina geral e familiar, metade das quais (211) em Lisboa e Vale do Tejo, a região mais carenciada e onde em Junho quase um milhão de pessoas não tinha médico de família atribuído.
A não ocupação de uma parte significativa de postos de trabalho tem sido “a tendência dos últimos anos”, lamentou Roque da Cunha, que acredita que o resultado ainda poderá piorar nos próximos dias, dado que habitualmente “cerca de 5%” dos novos especialistas acabam por não aceitar o posto de trabalho.
Há dois concursos por ano para recrutar novos especialistas e, no segundo concurso de 2021, também tinham ficado sem médico de família, em Lisboa e Vale do Tejo, metade dos postos de trabalho então abertos nos centros de saúde.
Mas já era de esperar que as vagas não fossem todas ocupadas. Desde 2018 que o Governo disponibiliza um número de lugares para contratação que é superior ao total de médicos que concluem a especialidade em cada época, visando atrair e manter no Serviço Nacional de Saúde os jovens especialistas e cativar médicos que estejam a trabalhar noutros locais, como enfatizou a secretária de Estado da Saúde.
No primeiro concurso deste ano, e considerando todas as especialidades além da medicina geral e familiar, foram abertas mais de 1600 vagas, quando o número de novos especialistas não passava de 1220.»
(Publicação do jornal "Público" de 14 da Julho de 2022)
domingo, 10 de julho de 2022
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