terça-feira, 24 de abril de 2018

“o Partido Socialista prestou-se a ser instrumento de corruptos e de criminosos”

O artigo de opinião da autoria de Rui Ramos, intitulado "Porque é que só há uma Ana Gomes?", publicado hoje no jornal online "Observador". Com a habitual e devida vénia,

«Tal como todos os políticos, a eurodeputada Ana Gomes chegou a algumas conclusões sobre o caso Sócrates-Salgado. Mas ao contrário de todos os outros políticos, não as guardou para si ou para os seus amigos. Disse-as em voz alta, este fim de semana: “o Partido Socialista prestou-se a ser instrumento de corruptos e de criminosos”, e avisou que quer o congresso do PS a discutir porque foi assim. “Pela regeneração do próprio PS, da política e do próprio país”.

Alguém dirá que é muita coragem para uma militante socialista. Mas Ana Gomes não é apenas a única socialista a dizer o que pensa sobre o caso Sócrates-Salgado. É mais do que isso: é a única figura política, de qualquer partido. Porque a propósito da Operação Marquês, a única coisa que os nossos oligarcas gostam de comentar ao pé do microfone é a “violação do segredo de justiça”, isto é, a publicação pela imprensa das informações que lhe chegam do processo. Sobre isso, não falta a ninguém eloquência. O problema, como é antiga tradição em Portugal, é o “jornalismo de sarjeta”. O Dr. Salazar certamente que estaria de acordo.

Porque é que os outros políticos não dizem nada? Porque o que está em causa no processo Sócrates-Salgado, à medida que o novelo é desfiado pela justiça e pela imprensa, é demasiado grave para a oligarquia se permitir olhá-lo de frente. Não é um episódio isolado de corrupção pessoal, mas um sistema, um “mecanismo”, em que um chefe de governo e um dos maiores banqueiros do país terão, segundo a acusação, conspirado contra a lei e contra o interesse público. Ou seja, um Lava Jato, que só parece mais pequeno, não porque Portugal seja pequeno, mas porque o regime continua a esforçar-se por reduzir tudo a um fait-divers, como se tudo, no fundo, não fosse mais do que um daqueles escândalos privados com que o jet-set dá cor à imprensa popular. Entretanto, os acusados, suspeitos e implicados insistem em manter-se no palco, enfrentando com desfaçatez e absurdo toda a evidência. Na plateia, os oligarcas guardam silêncio, incluindo os antigos justiceiros do BE e do PCP. Tal como não deram pelas cativações de Centeno, também não dão pelo que se vai sabendo do que terá sido, segundo a justiça e a imprensa, o império de Sócrates e de Salgado entre 2005 e 2011.

De facto, não é só coragem que falta. Falta também uma alternativa. Se tivessem de ser tiradas todas as consequências desta história, que aconteceria? Infelizmente, e ao contrário do que espera Ana Gomes, o PS, a política e o país não parecem capazes de regeneração. É por isso que somos governados, não apenas pelo PS, mas exactamente pelas mesmas pessoas que estiveram no governo de José Sócrates. A sociedade portuguesa gera rotação no poder quando o dinheiro acaba, como vimos em 2002 ou em 2011. Mas já não gera alternativas, como constatámos em 2015, com o regresso dos colegas de Sócrates, e agora, com a liquidação do PSD por Rui Rio. A divergência económica em relação à Europa, o endividamento e o envelhecimento da população tiraram ânimo e independência à sociedade portuguesa. Em Espanha, a revolta contra a corrupção fez nascer o Ciudadanos; em França, a invalidez dos velhos partidos gerou Macron. Aqui, há vozes isoladas, como Ana Gomes.

Mas se está calada, nem por isso a oligarquia está quieta. Move-se - para se defender. O grande desígnio nacional é agora o afastamento da procuradora-geral da república. Porque se na política só há uma Ana Gomes, quem sabe se na justiça também só há - ou só possa haver - uma Joana Marques Vidal? Talvez baste afastá-la para, utilizando a metáfora de Ana Gomes, a tartaruga poder continuar com a cabeça dentro da carapaça.»

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Angola - a "Baía dos Tigres"

Com cerca de 35 quilómetros de comprimento por, no ponto máximo, 10 quilómetros de largura, foi habitada por pescadores portugueses até ao final do período colonial, em 1975. No local ainda existem dezenas de casas desse tempo, grande parte tomada pela areia do deserto.

"A Baía dos Tigres hoje é ilha. As intempéries da natureza, associadas à falta de água, fizeram com que as pessoas que lá habitavam a abandonassem", começa por relatar Ernesto Manuel Tchihihavo, o administrador da histórica "Baía dos Tigres", nomeado há mais de 10 anos pelo Estado angolano, que administra uma área de 100 quilómetros quadrados sem população e à qual nem o próprio consegue chegar..

A pequena vila foi fundada por pescadores do Algarve, por volta de 1860, mas séculos antes já tinha entrado nos mapas de portugueses e ingleses pela invulgar quantidade e qualidade de peixe, que lhe valeu a alcunha de "Great Fish Bay".

(Fonte - Agência Lusa - ler mais aqui)

domingo, 22 de abril de 2018

As mulheres e os partidos políticos

O irónico, saboroso e muito oportuno artigo de opinião de Alberto Gonçalves publicado ontem pelo  "Observador", sob o título "Humilhadas e ofendidas". Com a habitual e devida vénia,

«“Terão os partidos mulheres suficientes para as listas?”, aflige-se o “Diário de Notícias”. É extraordinário. Por um lado, que, com cerca de 72 leitores (contando comigo), o “Diário de Notícias” continue a existir. Por outro, que a misoginia vigente insista em aumentar por decreto a “participação” feminina na política, agora elevada a 40%.

Não é por acaso que a “participação” leva aspas. A relativa escassez de senhoras nos partidos sempre foi um indício da higiene daquelas e da sujidade destes. Desde tempos imemoriais, é sabido que, com excepções tão raras quanto dignas de estudos científicos, apenas chafurdam nesse meio criaturas rotundamente incapazes de prestar qualquer tarefa válida à humanidade ou sequer ao condomínio lá do prédio. Se alguém demonstra uma absoluta inaptidão para o trabalho e a vergonha na cara, candidata-se a uma repartição das Finanças. Se nem para isso prestar, alista-se num partido, onde poderá exibir a presunção dos simples, traficar “ajudas de custo” e tratar juízes por “pá”. Salvo por um pequeno número de casos perdidos, boa parte das mulheres tem mais o que fazer – sobretudo não fazer figuras tristes. E é triste que, por obra e graça de políticos, uma quantidade crescente de fêmeas da espécie se vejam arrastadas pela e para a lama. Dada a ética do sector, e a necessidade de “preencher” as “quotas”, imagino algumas convertidas sob sequestro e ameaça de navalha.

Não vou questionar o direito de o Estado intervir nestas matérias: a pergunta seria absurda e, em Portugal, a resposta seria ainda pior. O que é interessante – e notável, na perspectiva do marketing – é que tamanho enxovalho seja vendido a título de “promoção” ou, na versão épica, de avanço civilizacional. Os factos mostram exactamente o oposto. Se o verdadeiro objectivo do exercício é a “emancipação” das mulheres, porque é que esta não se aplica a profissões honradas? Porque é que não se impõem “quotas” nos ofícios de carpinteiro (de limpos e de sujos), camionista (longo e médio curso), trolha, canalizador, futebolista, guarda-nocturno, mineiro, pedreiro, sapateiro, palhaço, etc.? Porque é que o reconhecimento da igualdade se restringe a cargos que diminuem os titulares? Porque é a humilhação que se pretende. Chegar a autarca, administradora pública ou ministra é das menores proezas ao alcance do ser humano: com as “ligações” adequadas, uma grafonola desempenharia funções idênticas com mestria e honestidade superiores.

Aliás, a confirmação de que a “lei da paridade” visa achincalhar especificamente as mulheres está na circunstância de não abarcar critérios “identitários” cujo achincalho é desaconselhado pela moral vigente. Só no que respeita ao “género”, a coisa fica-se pelo tradicional binário e esquece-se deliberada e cautelosamente do próspero sector “trans”. Ninguém propõe a reserva de pedacinhos do Parlamento para os/as indivíduos/as agénero (1,5%, digo eu), bigénero (1,2%), intergénero (0,8%, obviamente), pangénero (idem), nanogénero (aqui hesito), demigénero (já me perdi) e travesti não-binária (chiça). A razão? Ninguém ousa ofendê-los/las/lis/los/lus.

O receio de ofensa também explica a ausência de propostas paritárias para os restantes factores de identidade. Para não insultar os gays, o “sistema” não arrisca bulir na representatividade segundo a orientação sexual. Para não caluniar as religiões, não se sugerem proporções de budistas, muçulmanos, animistas ou presbiterianos. Para não difamar as etnias, não se enfiam à força asiáticos, negros, ciganos, ameríndios ou esquimós nas listas das “legislativas”. Ou uma determinada porção de boavisteiros, ceguinhos, circuncisados, flautistas, vegetarianos ou o que quer que seja que torna a pessoa aquilo que é. Não, senhor: o único “grupo” empurrado à força para a política é o das mulheres, um acto machista, ressentido e quase perverso.

Para cúmulo, os adversários das “quotas” reagem a tamanha infâmia com a lengalenga de que a maioria das mulheres é competente o bastante para entrar na política sem ajudas ou favores estatísticos. O problema, meus caros, põe-se ao contrário: a maioria das senhoras (e dos cavalheiros, calculo) é competente o bastante para evitar a política e deixá-la ao cuidado dos que, independentemente do sexo, não são. Antes e depois do reforço percentual, a “lei da paridade” rebaixa as mulheres e exalta os políticos – adivinhem quem a aprovou.»

sábado, 21 de abril de 2018

A Lua como nunca a vimos - vídeo em 4K

A NASA lançou um tour virtual 4K impressionante e detalhado de uma selecção das características mais fascinantes e historicamente importantes da Lua. O satélite da Terra continua a ser o único mundo alienígena a ser visitado por uma missão tripulada, e deve ser revisitado nas próximas décadas, à medida que as agências espaciais em todo o mundo procuram ampliar os limites da exploração humana.

O novo vídeo foi construído a partir de nove anos de dados colhidos pelo Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) da NASA, que estuda a Lua desde que foi lançado em Junho de 2009. A LRO revelou que a Lua é um mundo surpreendentemente complexo e dinâmico e ajudou os cientistas a obter uma imagem mais clara de como o nosso sistema solar evoluiu para o ambiente cósmico incrivelmente diverso que vemos hoje.

O passeio leva-nos a partir de características geológicas fascinantes, como a Bacia de Polo Sul-Aitken, com 2500 km de extensão, até o local histórico do pouso da missão Apollo 17 no Vale de Taurus-Littrow.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Verdade, mentira e manipulação na Internet

Um vídeo que deve ser visto com toda a atenção!

Repare-se, por exemplo, durante a "declaração" do ex-presidente Barack Obama, na sofisticação tecnológica que manipula o som/tom da sua voz e o movimento dos seus lábios, "forçando-o" a dizer algo que, de facto, ele nunca disse! Um vídeo que deve ser visto com toda a atenção!