segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Lawren Harris

Lawren Stewart Harris, pintor canadiano, nasceu no dia 23 de Outubro de 1885 em Brantford, Ontário.

Lawren Harris ficou sobretudo conhecido por ter tido um papel fundamental na criação do "Grupo dos Sete", grupo de sete jovens pintores canadianos que, influenciados pelo impressionismo europeu do século XIX, revolucionariam a pintura canadiana. A este grupo pertenciam também Franklin Carmichael, A. Y. Jackson, Frank Johnston, Arthur Lismer, J. E. H. MacDonald e Frederick Varley.

Depois dos estudos na Central Technical School e no colégio St. Andrew, em Toronto, Lawren Harris foi estudar para Berlim onde permaneceu de 1904 a 1908. Interessou-se então por filosofia e mais tarde por teosofia.

Em 1911, de regresso ao país, tornou-se amigo de J. E. H. MacDonald. Fundaram juntos o "Grupo dos Sete". Harris tornou-se o teórico do grupo, dada a sua formação universitária.  Defendia as ideias  do poeta irlandês George William Russell sobre o papel social do artista. Um local, o Studio Building, deu a esses artistas um lugar para viverem e trabalharem. Em 1918 e 1919, Harris financiou viagens aos artistas do grupo à região de Algoma e ao Lago Superior, em Ontário. Seduzido pelo local, Harris voltaria aí anualmente, durante vários anosDesenvolveu então o estilo que melhor o caracteriza, cores vivas e brilhantes aplicadas em camadas espessas, técnica denominada "impasto". Harris pintou também várias paisagens da Baía Geogiana e, mais tarde, das Montanhas Rochosas.

Em 1969, Lawren Harris foi agraciado com o título de Compagnon da Ordem do Canadá.

Lawren Harris morreu em Vancouver, onde vivia desde 1940, no dia 29 de Janeiro de 1970.

Snowfall, Lawren Harris, 1920, colecção particular

domingo, 22 de outubro de 2017

E porque não aplicar também impostos sobre as festas?

Do artigo de opinião de João Taborda da Gama, intitulado "Imposto sobre as festas", publicado hoje no jornal "Diário de Notícias. Com a merecida vénia, alguns excertos,

«Escrevo no sábado, dia de festas de anos dos miúdos. Se estas até agora eram apenas desafios existenciais, agora são orgias fiscais. Começou com a coca-cola, agora a batata frita, para o ano talvez a gelatina e as gomas, ou até os caniches feitos em balões salsicha por um palhaço triste, que bem vistas as coisas comer aqueles balões não deve fazer nada bem à saúde. E já se sabe que estes impostos não é nada por dinheiro, é pela nossa saúde.

.../... Mas isto era sobre o ISOACETDS, o imposto sobre os alimentos com elevado teor de sal, que está no Orçamento, mas que não é sobre o sal, muito menos sobre os alimentos com elevado teor de sal, nem sequer na verdade sobre alguns destes, é sobre as batatas fritas de pacote, as das festas de anos e do bar do colégio. Um imposto de base tão estreita que é tão inconstitucional como o da coca-cola, que era sobre o açúcar, mas acabou por ser só sobre algumas bebidas (como escrevi aqui, foi uma forma de honrar Salazar), e que tem, tal como o outro, o único objetivo de ir buscar mais receita, neste caso sobretudo às festas de anos, mas pela nossa saúde.

Sou dos fiscalistas talvez aquele que mais gosta de impostos, mas impostos sobre o dinheiro, não sobre o saleiro (com arroz para não grudar com a humidade), muito menos sobre as batatas fritas, nem que me enganem com moralidades sanitárias.

Mas se a esquerda parlamentar não me ouvir, que não vai, então que se lembrem das gabelas na Revolução Francesa, ou da Marcha do Sal de Gandhi, em 1930, contra um imposto britânico sobre o sal. E se a imagem de Gandhi, no final dos quatrocentos quilómetros de marcha, a apanhar os grãos de sal não vos comover, então tenho mesmo de puxar da carta atómica, invocar aquele que devia ser o ídolo de todos os revolucionários, para, proto, pseudo, meta e neo revolucionários desta nova esquerda: José Estêvão. E deixo-o falar, com o respeito que merece, da Câmara dos Deputados nos idos de 1834: "O imposto sobre o sal é um princípio condenado por todos os homens entendidos, fulminado nos Parlamentos, desacreditado em todos os scriptos scientíficos, condenado pelos factos; é uma idea que morreu." É "um imposto sobre a panella, sobre a mesa, sobre a cosinha, sobre o celleiro, sobre o lagar". E depois afeta os mais pobres: "A comida das classes baixas não tem outro adubo que não o sal; são farináceos, legumes, cousas pesadas; e, se não têm aquele único condimento, são um princípio vicioso de alimentação." Ah, permito-me interromper José Estêvão para lembrar que, lembrei-me agora, em Inglaterra se andou não sei quantos anos a discutir nos tribunais se as Pringles eram ou não batatas fritas para saber que imposto lhes aplicar. Mas, sim, é verdade, nas festas de anos não costuma haver Pringles.»

sábado, 21 de outubro de 2017

Será a derradeira oportunidade de olhar para o interior do país

Do editorial de Amílcar Correia, intitulado "Cuidar do interior é agora ou nunca", publicado hoje no jornal "Público", com a devida vénia:

.../...«Onde o Governo pareceu distante, Marcelo, como sempre, esteve afectuosamente próximo. O itinerário do Presidente pelos concelhos mais atingidos transmite a imagem dantesca da destruição do interior das regiões norte e centro e o sofrimento e desalento de uma população que tinha e tem todas as razões para se sentir abandonada por um Estado que bateu em retirada com o argumento centralista da austeridade. Raul Almeida, presidente da Câmara de Mira, dizia ontem o que qualquer cidadão atingido poderia dizer: “[Fomos] literalmente abandonados pelos poderes públicos centrais.” E é aqui que Marcelo entra. Em quatro meses, bruscamente, substituímos a compreensiva solidariedade pela inevitável indignação.

.../...Depois disto, não é possível continuar a olhar o interior do país com a mesma distância e leviandade. Depois disto, que razões efectivas existem hoje para alguém viver, trabalhar ou investir em zonas não urbanas e excluídas de qualquer prioridade política nacional? É absolutamente necessário que o Estado seja capaz de elaborar uma estratégia de emergência que valorize o interior, que pode ser uma espécie de Plano Marshall, como lhe chamou Rui Tavares, ou outra coisa qualquer; que seja eficiente e mais ambiciosa do que uma unidade de missão para a valorização do interior. Esta será a derradeira oportunidade de olhar para o interior do país, abandonado e envelhecido, sob pena de assistirmos à desertificação definitiva de uma parte substancial do território.»

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Acabou o estado de graça de António Costa

O director do jornal "Público", David Dinis, comenta o pedido de demissão da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, advertindo que esta "carta-bomba" anuncia o "fim do estado de graça do primeiro-ministro".