terça-feira, 31 de março de 2009

Wassily Kandinsky (3)

Improvisação 7, Wassily Kandinsky, 1910, Galeria Nacional Tretyakov, Moscovo

Kandinsky considerava essencial que um quadro resultasse de uma «necessidade interior». Este era um conceito-chave na sua teoria e volta incessantemente a ele como um leitmotiv de todas as suas actividades artísticas: para Kandinsky, a obra de arte já não deveria depender de condições externas, como o modelo da natureza. Em vez disso, o que determinava a génese do quadro era a voz interior do artista. Desta forma, à subjectividade incontrolável das aparências exteriores, contrapor-se-ia uma concepção baseada nas percepções interiores.

(Excerto de "Wassily Kandinsky", de Ulrike Becks-Malorny, Editora Taschen, 2007)

segunda-feira, 30 de março de 2009

Preservativos em África: o Papa pode ter razão...

Citando um artigo de opinião da autoria de Edward C. Green, publicado ontem no prestigiado periódico americano "The Washington Post", o semanário "Expresso" online chama, hoje, a atenção para «.../...vários estudos científicos que indicam que os preservativos não estão a ter sucesso como forma primária de prevenção e que as campanhas podem mesmo agravar a propagação do vírus naquele continente. Edward C. Green diz que as Nações Unidas ignoraram os resultados de um estudo que encomendaram a Norman Hearst e Sanny Chen, da Universidade da Califórnia, após em 2003 os investigadores terem concluído a não existência de evidências que os preservativos estivessem a resultar como forma primária de prevenção do HIV em África. O colunista diz que este dado tem sido refutado em diversos grandes artigos de revistas cientificas como a Lancet, Science e BMJ, referindo um artigo publicado no ano passado na Science onde 10 especialistas consideram que "o uso consistente de preservativos não atingiu um nível suficientemente alto, mesmo após anos de campanhas alargadas e agressivas para a sua promoção, de modo a fazerem descer o número de novas infecções e das epidemias generalizadas na África Sub-Sahariana"..../...». Vale a pena ler o artigo original aqui.

domingo, 29 de março de 2009

Jardim da Cordoaria, na cidade do Porto

Imagem de uma bela alameda do Jardim da Cordoaria, obtida no primeiro dia de Primavera do ano de 2009

Jardim da Cordoaria é a designação popular do Jardim João Chagas (Republicano, director de “A República Portuguesa” cujo primeiro número foi publicado a 1 de Setembro de 1890). O nome "Cordoaria" deve-se ao facto de se situar num antigo campo onde havia fábricas de cordas. O jardim foi constituído, em 1865, por proposta do Visconde de Vilar d’Allen, então vereador da cidade. O projecto inicial foi da autoria do paisagista alemão Emílio David, mas a sua fisionomia actual é bastante diferente, sobretudo depois do ciclone de 1941, que destruiu o arvoredo quase por completo.

sábado, 28 de março de 2009

"Dupla Sedução"

"Duplicity", o título original deste filme de Tony Gilroy, com Julia Roberts, Clive Owen, Tom Wilkinson e Paul Giamatti. Que desperdício de tempo, de dinheiro e de talentos! Boring, boring, boring... Ou seja, uma pessegada!

sexta-feira, 27 de março de 2009

"Marley & Eu"

Este filme, "Marley & Me", de David Frankel, é fracote. Adaptado do best-seller do jornalista John Grogan sobre a sua vida com o "pior cão do mundo", o filme deveria ter sido antes intitulado "Eu & Marley", já que a personagem do labrador é relegada para um plano bastante discreto. As interpretações de Owen Wilson e de Jennifer Aniston são correctas, não brilhantes. No entanto, as cenas com os cães são bastante bem conseguidas. E, como diz o autor do livro, «Um cão não precisa de carros modernos, palacetes ou roupas de grife. Símbolos de status não significam nada para ele. Um pedaço de madeira encontrado na praia serve. Um cão não julga os outros por sua cor, credo ou classe, mas por quem são por dentro. Um cão não se importa se você é rico ou pobre, educado ou analfabeto, inteligente ou burro. Se você lhe der seu coração, ele lhe dará o dele.»

quinta-feira, 26 de março de 2009

Propriedades e proprietários

Hoje, o dia em que de manhã se foi à Conservatória para o registo de compra do apartamento que só será nosso quando deixar de ser do Banco, e em que à tarde continuou a frustração porque constatamos que algo que pensávamos que nos pertencia já deixou de ser nosso.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Igreja de Santo Ildefonso

A Igreja de Santo Ildefonso começou a ser construída em 1709, mas só em 1739 ficou concluída. No tímpano da porta principal da Igreja está a data de MDCCXXX (1730), mas isso apenas se refere à data da sua colocação. Anteriormente existia no mesmo local uma ermida medieval dedicada a Santo Alifon. A fachada é composta por duas torres sineiras com dentilhões nas cornijas, rematadas em cada face por esferas e frontões de fantasia. Por cima do entablamento ergue-se o nicho do padroeiro. Guarnecem as paredes azulejos de Jorge Colaço (1932), com cenas da vida de Santo Ildefonso e alegorias da Eucaristia. O retábulo foi delineado por Nicolau Nasoni.

terça-feira, 24 de março de 2009

Wassily Kandinsky (2)

Primeira Aguarela Abstracta de Wassily Kandinsky (Moscovo, 1866, Neuilly-sur-Seine, 1944), 1910, Museu Nacional de Arte Moderna, Centro George Pompidou, Paris

«Quanto mais livre da forma for o elemento abstracto, tanto mais pura e, portanto, mais primitiva é a sua ressonância. Assim, numa composição, onde o elemento material é mais ou menos supérfluo, também é possível omitir, mais ou menos, esse elemento material e substituí-lo por formas puramente abstractas ou por formas materiais completamente expressas em abstracto. De qualquer modo, o único juiz, o único guia e a única bitola dessa abstracção ou dessa introdução da forma puramente abstracta, deve ser o sentimento.» (W. Kandinsky)

segunda-feira, 23 de março de 2009

"Cuidado com a Língua!"

Actualmente exibido na RTP1 às segundas-feiras à noite, a seguir ao comentário político de António Vitorino, é um programa didáctico quase perfeito, com cerca de dez minutos de duração. Trata da língua portuguesa, das suas dificuldades e erros mais vulgares, mas também da história de palavras e expressões, de uso comum ou eruditas. Dá exemplos da utilização correcta da língua, mas também denuncia o seu mau uso, por vezes personificando-o através de gente bem conhecida dos média. Tudo isto de uma forma ligeira e divertida a que não é alheia o apresentador, o actor Diogo Infante, a cuja presença e intepretação se deverá, em boa parte, o cativar do interesse do espectador. Pena que o grafismo e a animação não acompanhem a restante qualidade do guião.

domingo, 22 de março de 2009

O Porto de Almeida Garrett (2)

Estátua de Almeida Garrett, da autoria do escultor Barata Feyo, inaugurada em 11 de Novembro de 1954, situada frente ao edifício da Câmara Municipal do Porto, na Avenida dos Aliados. Garrett, juntamente com Alexandre Herculano e Joaquim António de Aguiar, tomou parte no Desembarque do Mindelo e no Cerco do Porto em 1832 e 1833.

sábado, 21 de março de 2009

"Tempos de Verão"

"L' Heure d'été", o filme de Olivier Assayas, de 2008, não é uma obra prima, mas apresenta-se-nos como um característico filme europeu, que se destaca pelo tema que aborda e pelo tratamento formal. Não se trata apenas de uma linear história de partilhas, algo conflituosas, de valiosas obras de arte, entre os herdeiros de uma família aparentemente unida. Paralelamente a essa pequena história, alerta-nos sobretudo para as diferenças de ideais, de interesses, de ambições e de destinos, de três gerações de uma família francesa, na França dos nossos dias. Lembra-nos, com simplicidade mas eficácia, a complexidade do relacionamento entre pessoas que, para além do elo familiar comum, têm inevitáveis diferenças comportamentais que, por vezes, são inconciliáveis. Uma nota negativa, a presença da consagrada Juliette Binoche como "cabeça de cartaz", mas que, incompreensivelmente, nos aparece no desempenho de um papel de segundo ou terceiro plano, mais compatível com aquele que costuma atribuir-se a qualquer actriz debutante.

sexta-feira, 20 de março de 2009

O Porto de Almeida Garrett

O escritor João Baptista da Silva de Almeida Garrett, mais vulgarmente conhecido por Almeida Garrett, nasceu no dia 4 de Fevereiro de 1799, nesta casa, o número 37 da Rua do Dr. Barbosa de Castro, anteriormente denominada Rua do Calvário (entre 1679 e 1920). Almeida Garrett viveu nesta casa até 1804, ano em que foi viver, com seus pais, para Vila Nova de Gaia. Na zona central da frontaria do edifício, ao nível do primeiro andar, foi colocada, em 1864, pela Câmara Municipal do Porto, uma placa alusiva ao nascimento deste "grande poeta".

quinta-feira, 19 de março de 2009

O internato em Medicina Geral e Familiar vai passar para quatro anos

Esta óptima novidade foi anunciada ontem, dia 18, pela ministra da Saúde, na abertura do 26.º Encontro Nacional de Clínica Geral, em Vilamoura. Há muito que os médicos de Medicina Geral e Familiar reclamavam este período de formação como o mínimo adequado a tão exigente especialidade. Até agora, a duração do respectivo internato complementar tem sido de apenas três anos. Finalmente uma medida acertada e corajosa, numa altura em que os médicos de família são cada vez mais escassos para responder às necessidades. Por isso mesmo urje implementar esta decisão.

quarta-feira, 18 de março de 2009

"A Guerra"

Finalmente a continuação do trabalho documental realizado por Joaquim Furtado sobre a denominada Guerra Colonial em Angola, Guiné e Moçambique. Apoiado na criteriosa recolha de imagens existentes no arquivo da RTP, apresenta-nos a perspectiva dos diversos intervenientes, ex-governantes, quadros políticos, militares portugueses, combatentes dos denominados movimentos de libertação, colonos, etc., através dos respectivos depoimentos colhidos ao longo dos anos. Parece haver, na condução do trabalho, um cuidado especial pela imparcialidade na apresentação e na interpretação dos acontecimentos, embora nem sempre seja totalmente conseguida. De salientar o esforço na procura de uma linha condutora que tenta concatenar os factos documentados e assim contribuir para a explicação da sua origem e das consequências que deles resultaram. Sem dúvida uma notável série histórica. A não perder, às quartas-feiras à noite, na RTP1.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Ana Jorge reconhece dificuldades no combate à tuberculose

Na opinião da Dra. Ana Jorge, Ministra da Saúde, a dificuldade no combate à tuberculose no nosso país será devida a "má articulação" entre médicos de família e pneumologistas e defendeu que os profissionais de saúde devem estabelecer prioridades! Claro que não esclareceu nem fundamentou esta douta opinião. A senhora ministra deveria ser melhor assessorada e procurar manter-se actualizada relativamente aos serviços da responsabilidade do seu ministério. Nomeadamente ao que sucedeu à organização e à estrutura do antigo S.L.A.T. (Serviço de Luta Anti-Tuberculosa), de boa memória, quando foi transformado em S.T.D.R. (Serviço de Tuberculose e Doenças Respiratórias), a pretexto de uma justificada (?) alteração na política de tratamento da tuberculose face ao decréscimo, na altura, da prevalência dessa doença. Mas, agora, os médicos de família é que vêm ser insidiosamente responsabilizados pelas "dificuldades" e anomalias no combate à tuberculose. Afinal eles continuam a ser o elo mais frágil do nosso Serviço Nacional de Saúde e, como diz o povo, têm as costas largas...

domingo, 15 de março de 2009

"Gran Torino"

Se não é uma obra prima anda muito perto disso. Este filme de Clint Eastwood, que superiormente o dirige e também interpreta, apresenta-nos um tema actual e uma situação conflitual que poderia ter-se passado em qualquer país com minorias raciais ou étnicas provenientes da imigração. Walt Kowalski (Clint Eastwood) é um veterano da guerra da Coreia, montador de carros Ford aposentado, um homem rígido e amargo. Viúvo há pouco tempo, vive sozinho, tendo como única companhia a sua cadela Daisy. Tem um relacionamento difícil e distanciado com os dois filhos e respectivas famílias. O bairro, onde reside há muitos anos, passou a ser habitado predominantemente por imigrantes Hmong, grupo étnico da região do sudeste Asiático, que lutou ao lado dos Estados Unidos durante a Guerra da Coreia. Walt despreza-os visceralmente. Um dia, Thao, um dos seus jovens vizinhos, pressionado por um gangue, tenta roubar o seu precioso Ford Gran Torino. Walt impede o furto e tenta protegê-lo, e à família, das represálias do gangue, tornando-se o herói involuntário do quarteirão. Como agradecimento, a família de Thao obriga este a oferecer-se para trabalhar gratuitamente para o vizinho. Walt acaba por dar-lhe pequenos trabalhos comunitários. É o início de uma amizade inesperada, que mudará o curso das suas vidas. E, graças a Thao, também Walt vai conhecer verdadeiramente os seus vizinhos e acaba por admitir que tem mais ligação a esses exilados do que à sua própria família. A qualidade do tratamento cinematográfico é excelente e está na linha, aliás, daquilo que tem sido apanágio da filmografia de Clint Eastwood nos últimos vinte anos. Incompreensível é que esta obra, de enorme qualidade, tenha merecido tão reduzida atenção dos meios cinematográficos norte-americanos. Com efeito, apesar de ter sido considerado pelo American Film Institute como um dos dez melhores filmes de 2008 e ter tido nomeações várias, ganhou apenas um prémio do National Board of Review, para melhor actor (Clint Eastwood).

sábado, 14 de março de 2009

Abstraccionismo (6) e Neoplasticismo

Composição 2, Piet Mondrian, 1922, The Solomon R. Guggenheim Museum, Nova Iorque

Com o neoplasticismo, Mondrian afirma querer atingir uma arte de «relações puras», ou seja, como ele próprio explica, uma pintura que exprima apenas as relações formais que o naturalismo durante séculos «ocultou» sob os objectos. De facto, entre 1920 e 1940, os seus quadros reduzem-se aos elementos fundamentais da percepção visual: a linha vertical, a linha horizontal, as cores primárias - vermelho, amarelo, azul - inseridas em zonas rectangulares ou quadradas, mais o branco e o preto, respectivamente como fundo da tela e como corpo das linhas. Essas presenças simples evocam as coordenadas basilares da experiência humana - o plano horizontal do solo (ou do eixo formado pelo olhar), a linha vertical da posição erecta - que, por seu turno, estão cheias de conotações simbólicas, como revelam as infinitas referências da construção «alto/baixo» numa perspectiva moral, religiosa, lógica, etc.

(Adaptado de "Guia de História da Arte", Editorial Presença, 5.ª edição, 2002)

sexta-feira, 13 de março de 2009

Abstraccionismo (5) e Neoplasticismo

Árvores, Piet Mondrian, 1912, Carnegie Museum of Art, Pittsburgh, Pennsylvania, E.U.A.

Este quadro, pintado pouco depois da «viragem cubista» de 1911, revela de uma forma notável a gradualidade com que Mondrian passa do naturalismo para o abstraccionismo, encaminhando-se para uma decomposição progressiva da imagem concebida como produto de uma síntese intelectual.

(Adaptado de "Guia de História da Arte", Editorial Presença, 5.ª edição, 2002)

quinta-feira, 12 de março de 2009

Clint Eastwood

Da entrevista de John-Miguel Sacramento, em Hollyood, a Clint Eastwood, a propósito do seu último filme, "Gran Torino" publicada hoje no jornal gratuito "Meia Hora":

«[.../...] Sei bem que os programas de apoio social têm benefícios, mas, a meu ver, o problema começou com a ideia do Estado como suporte. Foi aí que as pessoas meteram na cabeça que podiam ter algo mesmo sem trabalhar. Depois disso vieram as promessas. O povo começou a votar de acordo com as promessas dos políticos, que prometem tudo porque não estão a gastar o dinheiro deles.[.../...]».

Claro que a realidade observada nos E.U.A. por este conhecido Director e Actor, membro do partido republicano, não tem nada a ver com aquilo que se passa no nosso país...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Abstraccionismo (4) e Neoplasticismo

Composição II em Vermelho, Amarelo e Azul, Piet Mondrian, 1930, Colecção Alfred Roth, Zurique

O estilo de Piet Mondrian (Amersfoort, 1872 - Nova Iorque, 1944) começou por ser naturalista. Cerca dos 30 anos, apaixonou-se pela teosofia, a cujos pressupostos se manterá fiel durante toda a vida. Para ele, o cubismo, que conheceu em 1911-1912, não passava de um mero instrumento para a construção de um princípio unívoco de conhecimento: o encontro da vertical com a horizontal, ou seja a «cruz». O seu abstraccionismo é uma pintura «filosófica», baseada numa interpretação da imagem como evento simbólico e universal. Isso explica a constância com que, entre 1920 e 1940, pintou, em certo sentido, sempre «o mesmo quadro». Só em Nova Iorque, já no fim da vida, é que abandonou o esquema fundamental elaborado vinte anos antes e, sob a influência da cultura americana, fez as experiências intituladas Broadway Boogie Woogie e Victory Boogie Woogie.

(Adaptado de "Guia de História da Arte", Editorial Presença, 5.ª edição, 2002)

terça-feira, 10 de março de 2009

A única Orquestra Sinfónica da RDC em Kinshasa

Quand on vous parle de la capitale de la RD Congo, à quoi pensez-vous?... Pauvreté extrême, malnutrition, surpopulation, infrastructures dans un état lamentable, désordre? Sans doute, mais ne faites pas aux "Kinois" l'injustice de penser que l'inventaire s'arrête là!
Faites-leur plutôt l'hommage (mérité) de consacrer 5 minutes (sublimes) de votre temps à regarder cette vidéo:

Le seul Orchestre Symphonique de RDC à Kinshasa

segunda-feira, 9 de março de 2009

Os novos emigrantes

Cada vez mais, empresas internacionais, há muito estabelecidas em Portugal, encerram os seus centros de decisão local, passando a adoptar uma estratégia ibérica para a gestão e desenvolvimento dos seus negócios. Nessa perspectiva, é comum procurarem manter os quadros dirigentes portugueses, que são convidados a ir desempenhar as mesmas funções no país vizinho, geralmente em Madrid. Temos assim, agora, um novo tipo de emigração, não provavelmente destinada a suprir carências deste tipo de "mão-de-obra" altamente qualificada, a nível europeu, mas antes, talvez, porque estarão a ser reconhecidas melhores qualidade e competência nos profissionais do nosso país. Pensemos, porém, nas consequências nefastas para Portugal desta deslocalização de centros de decisão e do arrastamento concomitante, para o exterior, dos nossos trabalhadores mais qualificados.

domingo, 8 de março de 2009

"Bella"

Filme de Alejandro Gomez Monteverde, realizado em 2006, mas só agora em exibição no nosso país. Vencedor do "People's Choice Award", do Festival Internacional de Cinema de Toronto de 2006. Na sinopse de promoção do filme diz-se que "um jogador de futebol que vê a sua carreira subitamente arruinada e uma jovem empregada que tenta sobreviver em Nova Iorque vão mudar as suas vidas para sempre e perceber que às vezes é preciso perder tudo para finalmente descobrirem o que é realmente importante". Trata-se de uma coprodução E.U.A./México bem conduzida sob o ponto de vista técnico, com uma linguagem cinematográfica que parece ser linear. Peca, contudo, por um final incoerente, que põe em causa o verdadeiro significado de uma cena anterior, passada numa clínica médica, em que o espectador é induzido a pensar tratar-se da concretização de um abortamento, de acordo com o desejo então expresso por Niña (Tammy Blanchard), a protagonista. Ainda que esse não tenha sido o verdadeiro sentido, o final apresentado continua a ser desajustado e incompreensível, já que se Niña se arrependeu e decidiu ter a criança, é absurdo que, aparentemente, se tivesse desligado dela e do seu pai adoptivo durante tantos anos. Em resumo, um filme com uma história interessante, com interpretações correctas, mas...frustrado.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Capital humano

Oportuníssimo artigo de opinião do economista João Ferreira do Amaral, publicado hoje no jornal online "Página1", que se transcreve com a devida vénia:

«As questões relativas ao envelhecimento da população são quase sempre tratadas pelos economistas como constituindo problemas difíceis que as sociedades actuais têm de encarar e de resolver. É verdade que, num certo sentido, têm razão. É excelente vivermos mais e em melhores condições, mas isso não nos deve fazer esquecer que temos de encontrar os mecanismos económicos e financeiros que possibilitem esse alargamento da vida média – o que está longe de ser fácil.
Mas se o envelhecimento traz desafios, a verdade é que cria também algumas potencialidades do ponto de vista económico. Uma delas tem a ver com o capital humano, ou seja com os conhecimentos de que as pessoas dispõem.
Quando alguém morre, a Sociedade, para além da tristeza que a perda de uma vida humana sempre ocasiona, perde também a possibilidade de beneficiar dos conhecimentos e da experiência de quem morre.
Quando a vida média aumenta, como nas sociedades actuais, a Sociedade pode beneficiar mais tempo deste capital de conhecimento que se vai acumulando nas pessoas de mais idade. Isto é tanto mais importante quanto nas economias actuais o conhecimento está na base do progresso. Nas sociedades tradicionais, quando o trabalho humano era em grande parte braçal, o envelhecimento era sobretudo um encargo, que só não era maior porque a generalidade das pessoas vivia pouco tempo. Mas nas sociedades actuais, com o conhecimento no centro da economia, o alargamento da vida média é também um recurso a utilizar. Por isso, as sociedades terão toda a vantagem em encontrar rapidamente mecanismos inovadores que ponham o capital humano acumulado pelos de mais idade ao serviço de todos. A verdade é que há ainda muito a fazer neste domínio.»

quinta-feira, 5 de março de 2009

As ilhas do Porto

Ilha situada perto da Rua da Constituição.

A origem das ilhas da Cidade do Porto remonta à segunda metade do século XIX, época da industrialização, como resposta possível à inexistência de habitações que servissem a crescente procura por parte dos operários. Estes, provinham de populações oriundas sobretudo do Minho, de Trás-os-Montes e Alto Douro e da Beira Alta, que procuravam na cidade resposta para a crise rural que se vivia naquelas regiões.

A procura de alojamentos baratos fez surgir estes aglomerados de pequenas habitações, dispostas em fila, cada uma das quais raramente ultrapassava os 16 metros quadrados, com um único portal de entrada, que partilhavam equipamentos colectivos, como retretes (em média uma retrete por cada cinco casas), lavadouro, poço, etc. Estas ilhas eram geralmente construídas nos quintais das casas da classe média que davam para a rua. A exiguidade do espaço doméstico, reforçava a utilização dos espaços comuns, intensificando as relações de entreajuda e de solidariedade, mas também a conflitualidade. De facto, as características físicas das casas, por vezes separadas das habitações contíguas por simples tabiques, dificultavam o isolamento e a intimidade.

No entanto, as ilhas acabariam por constituir a forma de alojamento popular mais vulgarizado na cidade. Entre 1878 e 1890 teriam sido construídas 5.100 habitações nas ilhas (metade das que existiriam ainda em 1900), onde segundo Ricardo Jorge habitaria, em 1899, um terço da população da cidade! No final do século XX mais de nove mil pessoas, residiam ainda em 1127 núcleos de ilhas constituídos por 7654 fogos habitados.

quarta-feira, 4 de março de 2009

O dia em que eu nasci, morra e pereça




O dia em que eu nasci, morra e pereça,
Não o queira jamais o tempo dar,
Não torne mais ao mundo e, se tornar,
Eclipse nesse passo o sol padeça.

A luz lhe falte, o sol se lhe escureça,
Mostre o mundo sinais de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe ao próprio filho não conheça.

As pessoas pasmadas, de ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida,
Cuidem que o mundo já se destruiu.

Ó gente temerosa, não te espantes,
Que este dia deitou ao mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!

Luís Vaz de Camões, em "Sonetos"

terça-feira, 3 de março de 2009

Kasimir Malevich

Um Inglês em Moscovo, Kasimir Malevich, 1914. Stedelijk Museum, Amesterdão.

Trata-se de um quadro com características cubistas, cubismo sintético, do período pré-suprematista de Kasimir Malevich.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Sé de Viseu

Sé de Viseu, vista parcial dos claustros

O claustro inferior, denominado Claustro D. Manuel da Silva, é uma das principais obras do Renascimento Português. Foi executado na primeira metade do séc. XVI, pelo arquitecto italiano Francesco de Cremona, que havia trabalhado também nas obras de S. Pedro do Vaticano. O claustro caracteriza-se por um classicismo e forte rigor geométrico. O claustro superior data do séc. XVIII.

domingo, 1 de março de 2009

Quaresma

A palavra Quaresma vem do latim quadragésima e é utilizada para designar o período de quarenta dias que antecedem a festa ápice do cristianismo, ou seja, a ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no Domingo de Páscoa. Assim, a Quaresma faz parte do ciclo pascal. Começa na Quarta-feira de cinzas e termina na Quinta-Feira Santa pela manhã.

Imagem relacionada

A duração da Quaresma está baseada no símbolo do número quarenta na Bíblia. Nesta, fala-se dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar a sua vida pública, dos 400 anos que durou o exílio dos judeus no Egipto. Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material; seguido de zeros significa o tempo de nossa vida na terra, seguido de provações e dificuldades.

A prática da Quaresma data do século IV, quando se deu a tendência de constituí-la em tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática do jejum e da abstinência. Conservada com bastante vigor, pelo menos como um princípio, nas Igrejas do oriente, a prática penitencial da Quaresma tem sido cada vez mais abrandada no ocidente, mas deve-se observar um espírito penitencial e de conversão.