Porque na Vida há maus e bons momentos. Porque no dia-a-dia há acontecimentos que nos afectam positiva ou negativamente.
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quinta-feira, 23 de maio de 2019
quinta-feira, 20 de julho de 2017
sábado, 14 de janeiro de 2017
"Liberdade", "Igualdade"... e a "Fraternidade"?
«À boca da cena continuam ainda hoje a anunciar
A realização do drama em três actos:
“Liberdade, igualdade, fraternidade”.

É certo que cresceu o caudal da liberdade:
Muitos muros caíram,
Muitas cadeias se abriram,
Muitos presos saíram
Para as praças da cidade,
E cantaram com os pardais
A canção da liberdade.
E é também verdade
Que as páginas da igualdade
Se espalharam por toda a parte,
Desde a escola ao trabalho, à família,
Desde a Terra a Marte.
Mas a fraternidade, Senhor,
Por que tem tanto bolor,
Por que não chegou ainda a ver o dia,
E sofre de renitente paralisia?
Pela liberdade, podemos lutar;
E o mesmo se pode dizer da igualdade.
Mas, em contraponto,
Pela fraternidade não adianta lutar,
Porque a fraternidade não se conquista,
A fraternidade recebe-se,
Irmão nasce-se.
Um irmão não se define por aquilo que é,
Por aquilo que tem,
Por aquilo que vale,
Mas por aquilo que lhe é feito,
Antes e independentemente da sua vontade.
A fraternidade supõe um Pai,
E é por isso que a sociedade laica não pode produzir a fraternidade,
Porque se funda precisamente sobre a ausência de Pai.
Ensina-nos, Senhor,
A receber,
Primeiro,
O teu amor.»
A realização do drama em três actos:
“Liberdade, igualdade, fraternidade”.

É certo que cresceu o caudal da liberdade:
Muitos muros caíram,
Muitas cadeias se abriram,
Muitos presos saíram
Para as praças da cidade,
E cantaram com os pardais
A canção da liberdade.
E é também verdade
Que as páginas da igualdade
Se espalharam por toda a parte,
Desde a escola ao trabalho, à família,
Desde a Terra a Marte.
Mas a fraternidade, Senhor,
Por que tem tanto bolor,
Por que não chegou ainda a ver o dia,
E sofre de renitente paralisia?
Pela liberdade, podemos lutar;
E o mesmo se pode dizer da igualdade.
Mas, em contraponto,
Pela fraternidade não adianta lutar,
Porque a fraternidade não se conquista,
A fraternidade recebe-se,
Irmão nasce-se.
Um irmão não se define por aquilo que é,
Por aquilo que tem,
Por aquilo que vale,
Mas por aquilo que lhe é feito,
Antes e independentemente da sua vontade.
A fraternidade supõe um Pai,
E é por isso que a sociedade laica não pode produzir a fraternidade,
Porque se funda precisamente sobre a ausência de Pai.
Ensina-nos, Senhor,
A receber,
Primeiro,
O teu amor.»
(D. António Couto, "Oração da Manhã", Rádio Renascença, 13 de Janeiro de 2017)
domingo, 4 de dezembro de 2016
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
O futuro da medicina
"Não sei o que nos espera, mas sei o que me preocupa: é que a medicina, empolgada pela ciência, seduzida pela tecnologia e atordoada pela burocracia, apague a sua face humana e ignore a individualidade única de cada pessoa que sofre, pois embora se inventem cada vez mais modos de tratar, não se descobriu ainda a forma de aliviar o sofrimento sem empatia ou compaixão."
(João Lobo Antunes, em "Ouvir Com Outros Olhos", Editora Gradiva, 2015)
domingo, 11 de setembro de 2016
The science of making us happy!
É a grande questão e é muito pessoal, mas está seguramente ao nosso alcance
sábado, 27 de agosto de 2016
No caminho para o trabalho, vejo...
No caminho para o trabalho, vejo famílias carregadas com chapéus-de-sol e lancheiras pesadas.
Vejo praias cheias de crianças à beira-mar.
Vejo idosos que caminham em pequenos grupos, numa conversa descontraída…
Bem sei que esta é uma pequena parte da realidade. Mas isso não me pode impedir de agradecer.
Apesar de todas as crises, do fogo dos incêndios, da violência sempre noticiada, apesar de tudo, vivemos em paz.
Não sabemos o que é fugir à procura de outras fronteiras;
não sabemos o que é viver em casas esburacadas por bombas e tiros perdidos;
não sabemos o que são prisões que ninguém pode visitar, torturas que tantos ignoram;
não sabemos o que é não poder entrar numa igreja ou morrer pela Fé.
Nesta manhã de sábado eu te agradeço Jesus, esta paz em que vivemos.
Ajuda-nos a viver conscientes desta realidade, atentos a quem mais sofre, capazes de rezar por quem nada tem.

(Isabel Figueiredo, "Oração da Manhã", Rádio Renascença, 27 de Agosto de 2016)
sexta-feira, 22 de julho de 2016
«Vi e continuo a ver» (Maria Madalena)
«A Igreja celebra hoje, dia 22 de julho, Santa Maria Madalena. Este ano, pela primeira vez, e por decisão do Papa Francisco, a celebração de Santa Maria Madalena assume o grau de Festa ao nível das celebrações dos Apóstolos.
Na verdade, a Tradição da Igreja, com Rábano Mauro e São Tomás de Aquino à cabeça, a que se juntou São João Paulo II na Exortação Apostólica Mulieris dignitatem, tem dado a Maria Madalena o título nobre de «Apóstola dos Apóstolos», título que se acorda bem com os relatos dos Evangelhos acerca da Ressurreição de Jesus. Na verdade, os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas fazem-nos ver algumas mulheres, entre as quais está sempre Maria Madalena, a irem naquela madrugada de Domingo ao lugar do túmulo de Jesus, a receberem aí a mensagem da sua Ressurreição, bem como o mandato de levarem essa mensagem aos Apóstolos. Por sua vez, o Evangelho de João dá-lhe ainda maior relevo, pois coloca em cena, naquela madrugada da Ressurreição, apenas Maria Madalena, que é encontrada por Jesus, de quem recebe o mandato de ir anunciar aos Apóstolos que viu e continua a ver o Senhor Ressuscitado. «Vi e continuo a ver». É assim que se traça o perfil da testemunha, com o olhar cheio de Jesus Ressuscitado. Só assim o pode mostrar e anunciar.
Como precisamos hoje de ti, Maria Madalena! Mostra-nos Jesus, e roga por nós, neste dia luminoso da tua Festa!»
(D. António Couto, "Oração da Manhã", Rádio Renascença, 22/07/2016)
sábado, 9 de abril de 2016
Papa Francisco: "Ao envelhecer tornamos-nos mais sábios e...»
«Ao envelhecer tornamos-nos mais sábios e lentamente damos-nos conta que um relógio de 3 mil euros marca a mesma hora que um relógio de 30 euros; que uma carteira de 300 euros carrega o mesmo dinheiro e documentos que uma de 3 euros; que a solidão em uma casa de 30 metros quadrados ou de 300 é a mesma.
Espero que um dia percebas que a tua felicidade interna não vem das coisas materiais no mundo. Não importa se viajas em primeira classe ou económica, morrerás na mesma se o avião cair. Espero que percebas que, quando se tem amigos e irmãos com quem falar, rir e cantar, isso é felicidade verdadeira.»
Papa Francisco
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
Recordar todos aqueles que, no silêncio das suas profissões, tornam possível a nossa vida do dia a dia
«Ao começar este dia, quero recordar todos aqueles que, no silêncio das suas profissões, tornam possível a nossa vida do dia a dia:
Os trabalhadores das padarias que, na noite, amassam e cozem o pão que nos alimenta logo pela manhã;
Os varredores das ruas, que nos saúdam limpando o lixo do dia;
Os electricistas e canalizadores, atentos ao fornecimento da água e da energia;
Os carpinteiros, pedreiros, engenheiros… que levantam as casas que habitamos;
Os médicos e enfermeiros, que se esquecem de si para cuidar quem sofre;
Os professores e educadores, que preparam o futuro dos nossos filhos;
Os padres, Irmãs, Irmãos e leigos consagrados, que nos falam de outros Reinos;
E a missão dos pais e mães, que, durante 24 horas por dia, amam, cuidam, educam os seus filhos.
Pelas mãos que se entregam
Pelos corações que amam
Pelos lábios que cantam a vida
Obrigado, Senhor!»
(D. Manuel dos Santos, "Oração da Manhã", Rádio Renascença, 03/02/2016)
Os trabalhadores das padarias que, na noite, amassam e cozem o pão que nos alimenta logo pela manhã;
Os varredores das ruas, que nos saúdam limpando o lixo do dia;
Os electricistas e canalizadores, atentos ao fornecimento da água e da energia;
Os carpinteiros, pedreiros, engenheiros… que levantam as casas que habitamos;
Os médicos e enfermeiros, que se esquecem de si para cuidar quem sofre;
Os professores e educadores, que preparam o futuro dos nossos filhos;
Os padres, Irmãs, Irmãos e leigos consagrados, que nos falam de outros Reinos;
E a missão dos pais e mães, que, durante 24 horas por dia, amam, cuidam, educam os seus filhos.
Pelas mãos que se entregam
Pelos corações que amam
Pelos lábios que cantam a vida
Obrigado, Senhor!»
(D. Manuel dos Santos, "Oração da Manhã", Rádio Renascença, 03/02/2016)
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
Hoje é dia de arrumar as figuras do presépio
«Hoje é dia de arrumar as figuras do presépio.
Quero fazê-lo com jeito, em gestos suaves de ternura com que a cada uma olhei nestes dias festivos de Natal.
Vi-as muitas vezes quando a casa ficava silenciosa. E em prece, a cada uma fui dando um nome.
Passaram a ser gente que conheço, gente com uma história, gente que se cruza comigo na família, no emprego ou nas ruas do meu bairro.
E também gente de quem apenas sei pelas notícias dos jornais. Gente que sofre e gente que se alegra.
Sim, vou arrumar as figuras do presépio, mas deixo ficar a estrela. Preciso de deixar ficar a estrela.
É que em cada dia, ela me há-de guiar até ao lugar onde Te encontras, Menino Deus, esse lugar em que pedes que seja eu a dizer na minha vida o Teu Reino de paz e de perdão.»
(Maria Teresa Frazão, "Oração da Manhã", Rádio Renascença, 07/01/2016)
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
Ainda existem Herodes que continuam a matar
«A Igreja celebra hoje os Santos Inocentes, uma história triste, do início da vida de Jesus, quando Herodes, por ganância de poder, manda matar todas as crianças, para que o seu lugar não venha a ser roubado pelo Messias que acabara de nascer. Esta história não é uma fábula de há dois mil anos atrás. Não é preciso esforçarmo-nos muito para perceber que existem tantos Herodes que continuam a matar para manter a qualquer custo o seu bem-estar. E, sobretudo, tantos inocentes hoje são mortos. Lembremo-nos na nossa oração de tantas crianças que sofrem e morrem na guerra, nos campos de refugiados, nos hospitais e instituições. De tantas crianças que não chegam a nascer… Ao lembrarmo-nos destas crianças, lembremo-nos que a vida é o valor mais sagrado que temos que proteger e acolher.»
domingo, 3 de agosto de 2014
Cuidemos melhor das pessoas que amamos
Quando nos despedimos de um ente querido, devemos fazê-lo sempre com palavras de amor. De cada vez que nos afastamos dessa pessoa, admitamos que podemos não regressar. Talvez não voltemos mais a vê-la.
Asseguremos-nos que cuidamos, de facto, das pessoas de quem gostamos. Elas podem ter hoje necessidade de uma maior atenção nossa para se sentirem importantes para nós e amadas por nós.
Cuidemos melhor das pessoas que amamos.
sábado, 7 de junho de 2014
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Carta ao pai emigrante, por João Tordo
Vale a pena ler esta carta do escritor João Tordo sobre seu pai, o cantor e compositor Fernando Tordo. E depois reflectir sobre o que (nos) está a acontecer. Aqui ficam dois excertos:
«Ontem, o meu pai foi-se embora. Não foi e já volta; emigrou para o
Recife e deixou este país, onde nasceu e onde viveu durante 65 anos. A
sua reforma seria, por cá, de duzentos e poucos euros, mais uma pequena
reforma da Sociedade Portuguesa de Autores que tem servido, durante os
últimos anos, para pagar o carro onde se deslocava por Lisboa e para os
concertos que foi dando pelo país.
.../...Os nossos governantes têm-se preparado para anunciar, contentíssimos,
que a crise acabou, esquecendo-se de dizer tudo o que acabou com ela. A
primeira coisa foi a cultura, que é o património de um país. A segunda
foi a felicidade, que está ausente dos rostos de quem anda na rua todos
os dias. A terceira foi a esperança. E a quarta foi o meu pai, e outros
como ele, que se recusam a ser governados por gente que fez tudo para
dar cabo deste país - do país que ele, e milhões de pessoas como ele,
cheias de defeitos, quiseram construir: um país melhor para os filhos e
para os netos. Fracassaram nesse propósito; enganaram-se ao pensarem que
podíamos mudar. Não queremos mudar. Queremos esta miséria, admitimo-la,
deixamos passar. E alguns de nós até aí estão para insultar, do
conforto dos seus sofás, quem, por não ter trabalho aqui - e precisar de
trabalhar para, aos 65 anos, não se transformar num fantasma ou num
pedinte - pegou nas malas e numa guitarra e se foi embora. Ontem, ao
deitar-me, imaginei-o dentro do avião, sozinho, a sonhar com o futuro;
bem-disposto, com um sorriso nos lábios. Eu vou ter muitas saudades
dele, mas sou suspeito. Dói-me saber que, ontem, o meu pai se foi
embora.»
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Honesty, de Billy Joel
É uma bela canção. E óptima para reflectir - não estritamente no tema que aborda.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Os três filtros do filósofo Sócrates
Na antiga Grécia, Sócrates tornou-se
famoso pela sua sabedoria e pelo grande respeito que manifestava por
todos.
Um dia, veio ao encontro do filósofo um homem, seu conhecido, que
lhe disse:
- Sabes o que me contaram de um teu amigo?
-
Espera um pouco - respondeu Sócrates. Antes de me dizeres alguma coisa,
queria que passasses por um pequeno exame. Chamo-lhe o exame do triplo
filtro.
- Triplo filtro?
-
Isso mesmo - continuou Sócrates. Antes de me falares sobre o meu amigo,
pode ser um boa ideia filtrares três vezes o que me queres dizer. É por
isso que lhe chamo o exame de triplo filtro.
O primeiro filtro é o da verdade. Estás seguro de que aquilo que me vais dizer é verdade?
- Não, realmente só ouvi falar sobre isso e...
- Bem! - disse Sócrates. Então, na realidade, não sabes se é verdadeiro ou falso.
Agora, deixa-me aplicar o segundo filtro, o filtro da bondade. O que me vais dizer sobre o meu amigo, é uma coisa boa?
- Não, pelo contrário...
- Então, queres dizer-me uma coisa má e que não estás seguro que seja verdadeira. Mas posso ainda ouvir-te, porque falta um filtro, o da utilidade. Vai servir-me para alguma coisa saber aquilo que me queres dizer sobre o meu amigo?
- Não, de verdade, não...
-
Bem - concluiu Sócrates. Se o que me queres dizer pode não ser
verdadeiro, não é bom e nem me é útil, para que é que eu o desejaria saber?
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
1 de Janeiro de 2013, Dia Mundial da Paz
Da mensagem de S. S. o Papa Bento XVI a propósito da comemoração do Dia Mundial da Paz:
.../...«Causam apreensão os focos de tensão e conflito causados por crescentes desigualdades entre ricos e pobres, pelo predomínio duma mentalidade egoísta e individualista que se exprime inclusivamente por um capitalismo financeiro desregrado. Além de variadas formas de terrorismo e criminalidade internacional, põem em perigo a paz aqueles fundamentalismos e fanatismos que distorcem a verdadeira natureza da religião, chamada a favorecer a comunhão e a reconciliação entre os homens.
.../...O obreiro da paz deve ter presente também que as ideologias do liberalismo radical e da tecnocracia insinuam, numa percentagem cada vez maior da opinião pública, a convicção de que o crescimento económico se deve conseguir mesmo à custa da erosão da função social do Estado e das redes de solidariedade da sociedade civil, bem como dos direitos e deveres sociais. Ora, há que considerar que estes direitos e deveres são fundamentais para a plena realização de outros, a começar pelos direitos civis e políticos.
E, entre os direitos e deveres sociais actualmente mais ameaçados, conta-se o direito ao trabalho. Isto é devido ao facto, que se verifica cada vez mais, de o trabalho e o justo reconhecimento do estatuto jurídico dos trabalhadores não serem adequadamente valorizados, porque o crescimento económico dependeria sobretudo da liberdade total dos mercados. Assim o trabalho é considerado uma variável dependente dos mecanismos económicos e financeiros. A propósito disto, volto a afirmar que não só a dignidade do homem mas também razões económicas, sociais e políticas exigem que se continue « a perseguir como prioritário o objectivo do acesso ao trabalho para todos, ou da sua manutenção ».4 Para se realizar este ambicioso objectivo, é condição preliminar uma renovada apreciação do trabalho, fundada em princípios éticos e valores espirituais, que revigore a sua concepção como bem fundamental para a pessoa, a família, a sociedade. A um tal bem corresponde um dever e um direito, que exigem novas e ousadas políticas de trabalho para todos
.../...No âmbito económico, são necessárias – especialmente por parte dos Estados – políticas de desenvolvimento industrial e agrícola que tenham a peito o progresso social e a universalização de um Estado de direito e democrático. Fundamental e imprescindível é também a estruturação ética dos mercados monetário, financeiro e comercial; devem ser estabilizados e melhor coordenados e controlados, de modo que não causem dano aos mais pobres. A solicitude dos diversos obreiros da paz deve ainda concentrar-se – com mais determinação do que tem sido feito até agora – na consideração da crise alimentar, muito mais grave do que a financeira. O tema da segurança das provisões alimentares voltou a ser central na agenda política internacional, por causa de crises relacionadas, para além do mais, com as bruscas oscilações do preço das matérias–primas agrícolas, com comportamentos irresponsáveis por parte de certos agentes económicos e com um controle insuficiente por parte dos Governos e da comunidade internacional. Para enfrentar semelhante crise, os obreiros da paz são chamados a trabalhar juntos em espírito de solidariedade, desde o nível local até ao internacional, com o objectivo de colocar os agricultores, especialmente nas pequenas realidades rurais, em condições de poderem realizar a sua actividade de modo digno e sustentável dos pontos de vista social, ambiental e económico.
.../... O mundo actual, particularmente o mundo da política, necessita do apoio dum novo pensamento, duma nova síntese cultural, para superar tecnicismos e harmonizar as várias tendências políticas em ordem ao bem comum. Este, visto como conjunto de relações interpessoais e instituições positivas ao serviço do crescimento integral dos indivíduos e dos grupos, está na base de toda a verdadeira educação para a paz.»
E, entre os direitos e deveres sociais actualmente mais ameaçados, conta-se o direito ao trabalho. Isto é devido ao facto, que se verifica cada vez mais, de o trabalho e o justo reconhecimento do estatuto jurídico dos trabalhadores não serem adequadamente valorizados, porque o crescimento económico dependeria sobretudo da liberdade total dos mercados. Assim o trabalho é considerado uma variável dependente dos mecanismos económicos e financeiros. A propósito disto, volto a afirmar que não só a dignidade do homem mas também razões económicas, sociais e políticas exigem que se continue « a perseguir como prioritário o objectivo do acesso ao trabalho para todos, ou da sua manutenção ».4 Para se realizar este ambicioso objectivo, é condição preliminar uma renovada apreciação do trabalho, fundada em princípios éticos e valores espirituais, que revigore a sua concepção como bem fundamental para a pessoa, a família, a sociedade. A um tal bem corresponde um dever e um direito, que exigem novas e ousadas políticas de trabalho para todos
.../...No âmbito económico, são necessárias – especialmente por parte dos Estados – políticas de desenvolvimento industrial e agrícola que tenham a peito o progresso social e a universalização de um Estado de direito e democrático. Fundamental e imprescindível é também a estruturação ética dos mercados monetário, financeiro e comercial; devem ser estabilizados e melhor coordenados e controlados, de modo que não causem dano aos mais pobres. A solicitude dos diversos obreiros da paz deve ainda concentrar-se – com mais determinação do que tem sido feito até agora – na consideração da crise alimentar, muito mais grave do que a financeira. O tema da segurança das provisões alimentares voltou a ser central na agenda política internacional, por causa de crises relacionadas, para além do mais, com as bruscas oscilações do preço das matérias–primas agrícolas, com comportamentos irresponsáveis por parte de certos agentes económicos e com um controle insuficiente por parte dos Governos e da comunidade internacional. Para enfrentar semelhante crise, os obreiros da paz são chamados a trabalhar juntos em espírito de solidariedade, desde o nível local até ao internacional, com o objectivo de colocar os agricultores, especialmente nas pequenas realidades rurais, em condições de poderem realizar a sua actividade de modo digno e sustentável dos pontos de vista social, ambiental e económico.
.../... O mundo actual, particularmente o mundo da política, necessita do apoio dum novo pensamento, duma nova síntese cultural, para superar tecnicismos e harmonizar as várias tendências políticas em ordem ao bem comum. Este, visto como conjunto de relações interpessoais e instituições positivas ao serviço do crescimento integral dos indivíduos e dos grupos, está na base de toda a verdadeira educação para a paz.»
domingo, 17 de junho de 2012
Sobre a importante relação entre silêncio e palavra (2)
.../...«Grande parte da dinâmica
atual da comunicação é feita por perguntas à procura de respostas. Os
motores de pesquisa e as redes sociais são o ponto de partida da
comunicação para muitas pessoas, que procuram conselhos, sugestões,
informações, respostas. Nos nossos dias, a Rede vai-se tornando cada vez
mais o lugar das perguntas e das respostas; mas, o homem de hoje vê-se,
frequentemente, bombardeado por respostas a questões que nunca se pôs e
a necessidades que não sente. O silêncio é precioso para favorecer o
necessário discernimento entre os inúmeros estímulos e as muitas
respostas que recebemos, justamente para identificar e focalizar as
perguntas verdadeiramente importantes.»
.../...
(da Mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, 24 de Janeiro de 2012)
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