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sexta-feira, 19 de junho de 2020

Portugal tem um problema grave com as novas infecções de covid-19

Com a devida vénia, aqui se transcreve o editorial do jornal "Público" de hoje, da autoria de Manuel Carvalho:

«Não há outra forma de o dizer: Portugal tem um problema grave com as novas infecções de covid-19. Bem podem os peritos tentar sossegar-nos com garantias de que tudo está sob controlo, bem podem as autoridades sanitárias afirmar que os novos casos se explicam à luz da melhor ciência, bem pode o Governo gerir com pinças a situação para sugerir aos cidadãos que não há razões para alarme: os números são o que são e são preocupantes.

No Algarve porque ameaçam a recuperação de um sector estratégico da economia; na região de Lisboa porque revelam a impotência das autoridades; e nos lares um pouco por todo o país porque colocam outra vez uma população já de si frágil sob o espectro de um novo isolamento.

Portugal esteve bem na primeira fase de luta contra a doença e foi gratificante receber os elogios que chegavam do exterior; Portugal está mal na fase do desconfinamento, ficou de fora da lista dos viajantes autorizados por países como a Grécia ou a Dinamarca e chegou a hora de enfrentar as críticas. Se no final de Maio escrevemos neste espaço que os números de Lisboa mostravam um “cartão amarelo” ao desconfinamento acelerado, a sua persistência e os novos focos colocam-nos hoje num patamar de crise mais alto e bem mais grave.

Para lhe responder, vai ser essencial que o conjunto da sociedade perceba a dimensão do problema e se mobilize para o enfrentar. Festas como a do Algarve, que acabam com dezenas de contágios, não são apenas monumentos à irresponsabilidade: são também testemunhos de subdesenvolvimento que temos de enfrentar.

Mas se o que mais conta é a resposta colectiva, também o Governo e as autoridades têm de assumir que, colectivamente, o país está a falhar. Não é preciso alarmismo nem marcha-atrás no desconfinamento: bastam palavras duras de aviso, exemplos, mais fiscalização, melhores transportes, mais determinação e, principalmente, deixar de agir com o ar de que não se passa nada.

Passa. Cada país que fecha as fronteiras aos portugueses agrava a percepção externa de que, entre nós, o vírus está à solta; cada notícia que nos coloca no rol dos piores índices de contágio por 100 mil habitantes aumenta as dúvidas entre quem quer investir ou visitar o país; cada dia em que Portugal mostra um número de contágios acima de países como a Espanha ou a Itália acrescenta uma nódoa à credibilidade que construímos na primeira fase da pandemia. Sim, temos um problema grave e só uma perfeita consciência do que se está a passar pode ajudar a superá-lo.»

sábado, 8 de junho de 2019

O Governo vai subsidiar o aluguer de casas para ricos...

A opinião, em forma de editorial, publicada ontem no jornal "Público", é da autoria da jornalista Ana Sá Lopes e tem o título "O Governo subsidia casas de ricos". Com a devida vénia,

«Há uma coisa paradoxal em chamar Programa de Arrendamento Acessível a uma coisa que permite que os senhorios abrangidos pelo programa possam cobrar por um T2 até 1150 euros. Ou seja, no mercado livre e especulativo que se vive na cidade de Lisboa um certo T2 “valeria” 1228 mensais e passaria a custar apenas 982 euros por mês, com o senhorio livre de impostos.

Esta definição de arrendamento acessível que o Governo apresentou aos portugueses é do mais bizarro que se viu - é insultuosa para a classe média/baixa quando se dirige de uma forma incompreensível aos estratos mais elevados da população. De caminho, o Governo socialista apoiado pelo Bloco de Esquerda e PCP dá-se ao luxo de subsidiar a especulação que no momento actual é exercida, nos grandes centros urbanos, com casas e não com activos financeiros tóxicos. Aliás, prepara-se uma bolha, como avisou agora o Banco de Portugal.

O Governo andou a dormir quase toda a legislatura relativamente à questão da habitação, a chorar contra a chamada lei Cristas que, naturalmente, com o andar da carruagem se transformou na lei Costa – porque não se pode ser primeiro-ministro e ao mesmo tempo irresponsável pelos serviços públicos e por direitos constitucionais, como o direito à habitação condigna. A Lei da Habitação, para a qual finalmente houve acordo na Assembleia da República, deixou cair uma das suas alíneas mais importantes – o direito à expropriação das casas devolutas nos centros urbanos.

Esta medida revolucionária e com cheiro a 1975 seria a única capaz de mudar um cenário insuportável: a quase impossibilidade de alguém da classe média conseguir arrendar uma casa em Lisboa. Se acham a ideia muito comunista, perguntem a Carlos Carreiras, o presidente social-democrata da Câmara de Cascais, também a braços com problemas de habitação e especulação no seu concelho, o que pensa sobre o assunto.

Em entrevista ao i, em Outubro de 2018, Carreiras disse: “Alguém que tem uma propriedade que não estima, que não lhe liga nenhuma e cuja propriedade causa até problemas de segurança pública, descaracterização do espaço, etc. Tendo em conta que essas propriedades afectam negativamente a comunidade vizinha, não vejo razão nenhuma para não expropriar.

A própria lei da expropriação determina que se tem de pagar um valor justo ao proprietário”. Num país em que os serviços públicos estão esmifrados por falta de pessoal e de outras penas, subsidiar a classe média alta para viver no centro de Lisboa é não ter noção do mundo onde vive, do salário médio dos portugueses, do estado de “remediado” em que vive a esmagadora maioria da população.

É extremamente fácil viver numa bolha quando se vive com condições acima da média. Mas a esquerda pode escolher não o fazer.»

sexta-feira, 26 de abril de 2019

A família socialista já chegou aos cemitérios de Lisboa!


Um protocolo entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Associação dos Amigos dos Cemitérios inflamou os ânimos na sessão pública da autarquia desta quarta-feira. Ante as críticas do vereador do PSD João Pedro Costa, Fernando Medina e José Sá Fernandes adiaram a votação da proposta. Uma assombração na véspera do 25 de Abril. Ler mais aqui.