.../...«Os cientistas notavam, no entanto, que existia uma forte associação entre o que se passava nas escolas e a “incidência regional da covid-19”, pelo que sublinhavam a importância de controlar a transmissão comunitária do novo coronavírus. “As intervenções devem focar-se na redução da transmissão do vírus entre o pessoal educativo.”
Parece que “a transmissão entre crianças nas escolas terá um papel negligenciável na pandemia da covid-19”, dizem, num comentário a este trabalho publicado na mesma edição da Lancet Infeccious Diseases, Stefan Flasche e John Edmund, do Centro para a Modelação Matemática de Doenças Infecciosas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres. Mas a realidade pode ser bem diferente, sublinham.
Dois estudos britânicos, baseados em testes aleatórios para tentar perceber quão frequente é a infecção pelo novo coronavírus, tanto em indivíduos como em famílias, permitiram perceber que, desde Setembro, foram os jovens adultos com idades entre os 18 e os 25 anos que se tornaram o motor da epidemia no Reino Unido. “A segunda faixa etária com os mais altos níveis de infecção foram crianças do ensino secundário (11-18 anos), o que sugere que provavelmente são uma importante fonte de infecção para os seus pares e outros”, defendem Flasche e Edmund.
Os dois cientistas dizem ainda que é “provável que tenha ocorrido mais transmissão [do vírus] entre crianças do que a que foi registada”. Sobretudo porque nas crianças e jovens adultos a infecção pelo SARS-CoV-2 surge muitas sem vezes sem sintomas.
Como conciliar então tantos dados a indicar que a escola parece ter um papel importante na transmissão do novo coronavírus com estudos como o da equipa de Sharif Ismail, que dizem que as infecções e surtos são pouco comuns nas escolas? Segundo os cientistas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, a resposta estará na baixa probabilidade de as crianças terem sintomas, mesmo contraindo o vírus. “Pode ter havido muito mais surtos que passaram despercebidos, ou que foram muito maiores do que se detectou.”
“Resultados preliminares de modelos baseados no Inquérito de Infecção pela Covid-19 do UK Office for National Statistics [instituto de estatística] apontam para que as crianças no ensino secundário tenham oito vezes mais probabilidades de introduzir a infecção na sua família do que um adulto”, dizem ainda.
Portanto, se o estudo da Public Health England “reforçou a ideia de que ter as escolas abertas é seguro para as crianças mais jovens, as escolas secundárias podem ainda assim ter um papel importante na transmissão do vírus nas famílias”, concluem Stefan Flasche e John Edmund.»
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