O cardeal D. Manuel Clemente afirmou, durante a homilia da celebração a que presidiu ontem, na Igreja de Cristo-Rei da Portela, que a sede legislativa de Portugal "decidiu mal em relação à eutanásia, em relação ao cuidado da vida que todos merecem, em qualquer circunstância, da concepção à morte natural".
Para o cardeal-patriarca de Lisboa, o Parlamento "não conjugou todos os elementos" que deveria ter presente no processo legislativo, nomeadamente a certeza médica de que, "face ao desespero, responde-se com companhia, convivência, com cuidados paliativos, quer técnicos, quer pessoais", as tomadas de posição contra a eutanásia de milhares de pessoas, individualmente ou representando ordens profissionais, e a constatação, noutros países, de que uma lei assim, rapidamente se transforma em "rampa deslizante".
D. Manuel Clemente considera que ainda é possível contrariar o processo legislativo, "quer pelo esclarecimento mais apurado", "pela participação mais activa na legislação", nos apelos às "instâncias que ainda se têm de pronunciar", pela "própria consciência que, na sua objecção, se deve activar" e pelo respeito da Constituição da República Portuguesa que diz "taxativamente" no artigo 24 que "a vida humana é inviolável".
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