Com a devida vénia, eis um pequeno excerto da entrevista de Vasco Luís Curado, escritor e psicólogo clínico, autor do livro "Declarações de Guerra", à jornalista Manuela Guerreiro, publicada no jornal "Correio da Manhã" de hoje,
.../...«Apesar de os comandantes operacionais do 25 de Abril, os ‘capitães de Abril’, terem sido veteranos da Guerra Colonial, o sistema político pós-25 de Abril quis esquecer o passado imperial em geral, e a Guerra Colonial em particular. Recalcou-se, em vez de se assumir e integrar o passado como parte indestrutível da nossa identidade. Perdido o Império, já não interessavam as picadas africanas, com minas, sujeitas a emboscadas de guerrilheiros, mas sim a estrada bem asfaltada entre Lisboa e Estrasburgo ou Bruxelas, para captar fundos monetários europeus. As novas elites políticas ignoraram 570 anos de violência imperial ultramarina e quiseram acreditar que eram progressistas e europeístas desde sempre – quando nem os próprios ‘capitães de Abril’ o eram. Os combatentes foram vítimas desta cobardia moral. No regime anterior foram obrigados a combater numa guerra obsoleta; no novo regime foram desprezados por terem combatido. De um dia para o outro foram apontados como fascistas e assassinos pelos mesmos que, no dia 24 de abril, aplaudiam o regime ditatorial, que no dia 25 saíram à rua a ver no que dava o golpe militar, e que no dia 26 já se diziam progressistas desde pequeninos.».../...

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