segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A despesa com pensões e (ainda...) o relatório do FMI

.../...«Parte-se da premissa de que a despesa com pensões é igual a qualquer outra despesa. Não é verdade. O regime previdencial é submergido num sistema social opaco, assistencial, unilateral. Fala-se do seu desequilíbrio, o que é falso. Compara-se o nível de despesa face à UE usando valores de 2010 e ignorando dois anos de forte austeridade. Minimizam-se os impactos das reformas já feitas. Critica-se o carácter de menor redistribuição entre rendimentos no sistema contributivo de pensões, como se fosse esse o seu objectivo. Não perceberam (ou não lhes foi explicado) que na SS não se devem misturar realidades com funções distintas: o regime previdencial que confere direitos em função de uma lógica contratual e os regimes assistenciais e não-contributivos onde, aí sim, se faz uma redistribuição em favor dos mais fragilizados. Se acham que o Seguro Social é uma "excrescência" digam-no claramente: acabava-se com a TSU, tudo seria financiado por impostos e todos os benefícios seriam sujeitos a condição de recursos. Agora não culpem os pensionistas das regras que existiam e existem e não queiram retroagir efeitos devastadores sobre pessoas que já não têm alternativa de mudança. O Seguro Social não é uma guerra entre ricos e pobres. Essa "guerra" deve fazer-se na progressividade fiscal e nas prestações sociais de carácter não- contributivo.».../... 

(Excerto da opinião de António Bagão Félix, economista e antigo Ministro das Finanças, publicada no jornal "Público" de 12 de Janeiro de 2013)

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