sexta-feira, 19 de agosto de 2022

O desafio de Angola apesar do passado recente...

A opinião de Vítor Rainho expressa no artigo publicado hoje no "Jornal I". Com a devida vénia,

«É natural que quando as pessoas viveram ou trabalharam de perto na política saibam coisas umas sobre as outras. O problema é, já diz o povo, o lavar de roupa suja, que não engrandece ninguém. O que se passa em Angola faz-me lembrar esse ditado popular, pois aqueles que fizeram parte do MPLA durante muitos anos sabem bem como as coisas eram feitas e, agora, vão estar muito atentos às eleições de 24 de agosto.

Há mais de dois milhões de mortos inscritos nos cadernos eleitorais, mas já existiam esses ou outros mortos nas últimas eleições e o MPLA ganhou com confortável vantagem. Na altura, falou-se nos votantes do além, mas estou em crer que agora os ‘mortos’ vão ser muito mais fiscalizados, não havendo, contudo, a certeza de que não tenham uma caneta na mão para exercerem o seu direito de cidadania nas eleições de quarta-feira...

Estranhamente, alguns dos antigos militantes e dirigentes do MPLA gritam aos sete ventos que é preciso votar contra algo que eles próprios alimentaram ao longo de muitos anos. É óbvio que a maioria deseja umas eleições livres e limpas e que os derrotados aceitem a votação, mas com tantas desconfianças acredito que Angola vai viver uns dias muito agitados. Basta ver a força da UNITA nas ruas para perceber isso.

Uma nação que tem tudo para ser feliz, onde não falta água - apesar de não chegar à casa de milhões de angolanos -, onde o petróleo existe em abundância, onde os diamantes provocam tanta riqueza para alguns e miséria para tantos, em que a agricultura, se devidamente explorada, pode ser o celeiro de África, além de muitas outras riquezas que o país tem, mas que não foram ainda suficientes para transformar Angola numa das nações de primeiro mundo.

A guerra civil destruiu quase tudo o que funcionava no país e a educação e a saúde são os dois setores onde isso é mais visível. Logo, quem ganhar terá de apostar tudo na educação, na saúde e na habitação, dando dignidade a um povo que merece e que tanto gosta de viver.»

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