Com a devida vénia, eis a interessante e oportuna crónica de opinião de Miguel Esteves Cardoso, publicada hoje no jornal diário "Público",
«Por amor de Deus, o que é que interessa quem é o dono do Twitter? O que é o Twitter? Não é nada, a não ser o conjunto de pessoas que lá vai. Se toda a gente com graça saísse do Twitter, que graça teria o Twitter? Nenhuma.
E as pessoas o que lá vão fazer? Vão admirar o Twitter em si? Mas o que é o Twitter em si? Não, vão lá ver o que as outras pessoas estão a dizer.
Elon Musk é uma pessoa desagradável, mas o que é que ele pode fazer? Readmitir Donald Trump? É isso que vai afastar as pessoas de esquerda? Não aguentam os tweets do homem-laranja? Querem deitar abaixo o capitalismo, mas não são capazes de enfrentar Trump?
Confio em Jack Dorsey, mas isso sou eu, sem nenhuma boa razão. Gosto da cara dele. E isso a mim chega-me: gente, é o Twitter. Quero lá saber se me engano. Dorsey diz que Musk (bocejo de fazer estalidos nos maxilares) é a melhor solução por agora. Isso a mim basta-me, por agora. Mas porque é que não havia de bastar?
A direita diz que o Twitter censura pessoas de direita. É mentira. Farto-me de ver lá fachos horrendos e analfabetos cheios de bandeirinhas a dizer barbaridades.
Porquê? Porque existem. Que mal é que me fazem? Fazem-me perder esperança na humanidade. Mas não no Twitter. Porque o Twitter não é nada. Não tem culpa, mas também não tem mérito.
O que é que o Twitter faz? Deixa escrever 140 caracteres. Deixa-nos seguir quem quisermos. O que é que isto tem de especial? O que é que tem de admirável? Como é que isto é tecnologicamente avançado?
Ah, suspiram os optimistas, pode ser que agora dê para editar os nossos tweets... olhem só que sonho, que impossível maravilha, em 2022, podermos escrever um disparate e depois... sustenham por favor as vossas respirações... ir lá tirar as gralhas ou mesmo alterar uma frase!
De que se lembrarão a seguir?
O poder do Twitter está nas pessoas que lá estão. O Twitter é só um servidor. Chorar por causa da mudança de dono não fica bem a quem é livre.»

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