quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Afinal, quem é o nosso Primeiro-Ministro?


Da secção de "Cartas ao Director" do jornal "Público" de ontem:

«Afinal, quem é o PM? 

A aceitação de António Costa para integrar a comissão de honra (honra?!.. só o nome já dá vontade de rir…) de Filipe Vieira é, no mínimo, intrigante e inexplicável. Recordo que Sócrates ainda não foi julgado nem condenado. No entanto, bastou ter sido constituído arguido para António Costa, que ainda não era primeiro-ministro, achar que devia manter um distanciamento de segurança relativamente a este seu grande amigo e a quem tanto deve. (…) Além disso, Filipe Vieira, para além de ser arguido num processo de corrupção de magistrados, o mais grave em toda a história da magistratura portuguesa, cuja acusação está por dias, é um dos maiores devedores do Novo Banco, um dos maiores escândalos da política e da finança portuguesa, cuja auditoria acaba de ser conhecida. 

O que leva, então, um primeiro-ministro a colocar a cabeça no cepo por um indivíduo com este currículo, quando o mais elementar bom senso desaconselhava e o código de conduta do Governo proíbe? Que credibilidade e autoridade moral tem agora António Costa para meter o dinheiro dos contribuintes no Novo Banco, quando oferece a sua honra para apoiar um dos maiores devedores do BES e do Novo Banco? (…) 

O New York Times em Abril publicou um artigo com o título “Benfica, um Estado soberano”. Pippo Russo, numa entrevista recente à revista Sábado, insinuou que o Estado português era um enclave dentro do Estado soberano que era o futebol português. E Pedro Guerra, nos seus e-mails, tratava Filipe Vieira como o nosso primeiro-ministro. Ora, das duas uma: ou Filipe Vieira é efectivamente o primeiro-ministro de Portugal ou tem de haver um motivo escondido muito forte para António Costa aceitar suicidar-se politicamente, despojando-se, em público, da sua honra e da sua credibilidade. Será que Rui Pinto é capaz de descodificar este mistério? »

(Créditos: Santana-Maia Leonardo, Ponte de Sor)

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