Com a devida vénia, eis um excerto do artigo de opinião da jornalista Graça Franco, publicado hoje sob o título "Procura-se ministro Brandão Rodrigues, visto pela última vez a comemorar a Champions". Vale mesmo a pena ler o artigo completo.
.../...«Os nossos meninos e meninas em prisão preventiva nos últimos meses recusam ficar em prisão domiciliária “ad aeternum” e, a menos que lhes coloquem pulseiras eletrónicas, andarão perdidos das escolas até que estas abram de novo e lhes ofereçam outra vez pequeno almoço, almoço e lanche que desses sim, há muito que já estão a sentir falta.
No mais, vão-se contentando a andar por aí de festa em festa, a matar saudades dos amigos e a estagiar para clientes assíduos das nossas cervejeiras de que ganharão cartões de fidelidade antes mesmo de terem aberto a primeira conta bancária.
A alta classe média já tratou do assunto. Contratou baby-sitters, explicadores, professores privados. O ano vai decorrendo e o futuro em Oxford não está comprometido. A baixa classe média fez o que pode; teletrabalhou até às tantas, tele explicou aos fins de semana, tele ensinou em todo o tempo livre, “googlou”, que se fartou, que a sabedoria exigida a um miúdo de dez anos tem coisas que não lembram ao diabo. Mas, no fundo, acreditam que os filhos vão safar-se. Para o ano há mais e a exigência não pode ser igual.
O povo que andou a trabalhar, sem parar todo este tempo, a tratar dos velhos e dos vizinhos doentes, que tem mais medo de perder o emprego de que receio de que o miúdo perca o ano, nunca soube os reis da primeira dinastia e nunca ouviu falar de Arquimedes, espera simplesmente que tanto descanso não lhes arraste os filhos para a droga e já desistiu de os ver um dia a viver melhor do que eles. Mas mesmo esses estão à espera de uma palavrinha do ministro. Cansados da fila para o Banco Alimentar precisam de saber quando abrem os ATLs e se os refeitórios vão passar a funcionar para todos e todo o tempo.»
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