domingo, 28 de abril de 2019

Dia 25 de Abril à noite

«Vieram à televisão uns militares caducos parecendo ofendidos por se chamar “selvagem” à assembleia do 11 de Março. E tentando esconder os fuzilamentos que lá propuseram personagens de peso, milicianos, anónimos, e um grupo extraviado do MRPP. Peço desculpa. Ainda me lembro de Álvaro Cunhal, num excitado comício, prometendo aos camaradas, que gritavam “uma só solução, fuzilar a reacção”, que não perdiam pela demora.

O delicodoce dia “inicial, inteiro e limpo” de Sophia de Mello Breyner foi a caverna dos ventos da violência. Os militares não tinham absolutamente nada de democrático. O 25 de Abril não se fez pela liberdade; fez-se para a tropa voltar para casa. E uma bela manhã, Álvaro Cunhal desembarcou em Lisboa imitando deliberadamente a chegada de Lenine à estação da Finlândia.»

(Opinião de Vasco Pulido Valente, jornal "Público" de 27 de Abril de 2019)

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