domingo, 19 de agosto de 2018

A diversidade alimentar pode não ser a escolha mais saudável

Desde há várias décadas que se recomenda mundialmente que se consuma uma alimentação variada, como sinónimo de saudável, adequada do ponto de vista nutricional e preventiva de doenças crónicas.

No entanto, a análise de 17 anos de artigos publicados sobre aquela temática não evidenciou que a variedade signifique qualidade, pelo contrário. Com efeito, a equipa de investigadores liderada por Marcia Oliveira Otto, da Associação Americana do Coração, EUA, concluiu que "combinado, tal padrão alimentar poderá conduzir a um aumento no consumo alimentar e obesidade".

Os resultados da revisão efectuada aos artigos publicados concluíram que não existem evidências a sustentar que uma maior diversidade alimentar em geral promova um peso saudável e uma alimentação de qualidade.

Foram ainda identificados alguns artigos a indiciarem que uma maior variedade de opções alimentares numa refeição poderia atrasar a sensação de saciedade, fazendo aumentar a quantidade de alimentos consumidos.


Finalmente, uma reduzida quantidade de artigos sugeriu que uma maior diversidade alimentar está associada ao consumo de mais calorias, de padrões alimentares inadequados e de ganho de peso em adultos.

Considerando os resultados apurados, os autores concluem que as recomendações alimentares deveriam centrar-se no consumo adequado de alimentos derivados de plantas, como fruta, produtos hortícolas, leguminosas, cereais integrais, lacticínios magros, óleos vegetais não tropicais, frutos de casca rija, carne de aves e peixe, limitando o consumo de carne vermelha, doces e bebidas açucaradas.

"Escolher um grupo de alimentos saudáveis, adequado à carteira e gostos de uma pessoa, e mantê-lo, é potencialmente melhor a ajudar as pessoas a manterem um peso saudável do que escolher uma grande variedade de alimentos que possa incluir itens menos saudáveis como donuts, batatas fritas de pacote, batatas fritas e hambúrgueres de queijo, mesmo que sejam com moderação", concluiu Marcia Otto.

Referências
Dietary Diversity: Implications for Obesity Prevention in Adult Populations: A Science Advisory From the American Heart Association, Marcia C. de Oliveira Otto , Cheryl A.M. Anderson , Jennifer L. Dearborn , Erin P. Ferranti , Dariush Mozaffarian , Goutham Rao , Judith Wylie-Rosett , Alice H. Lichtenstein , Circulation, 9 Aug 2018; 0:CIR.0000000000000595.

(Fonte da notícia: Univadis)

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