sábado, 19 de janeiro de 2013

Sobre a tosse que perdura mais de uma semana

Um estudo publicado recentemente nos “Annals of Family Medicine” explica que uma tosse aguda pode prolongar-se, em média, ao longo de 18 dias e que a excessiva preocupação das pessoas quando a tosse perdura há mais de uma semana contribui para a prescrição inapropriada de antibióticos nessas situações.

Os investigadores Mark H. Ebbell, Jerold Lundgren e Surasak Youngpairoj, da Universidade da Georgia, nos EUA, chegaram a esta conclusão após terem analisado os dados de 19 estudo observacionais realizados na Europa, USA, Quénia e Rússia. Por outro lado, através de um questionário realizado a 500 indivíduos, foi possível constatar que os pacientes esperam que a tosse se prolongue por apenas sete ou oito dias.

“Há uma discrepância entre o que as pessoas acreditam e o que acontece na realidade. Se alguém tem uma bronquite aguda e não está melhor após quatro a cinco dias, há a tendência de ir ao médico para que este lhes receite um antibiótico. E quando este não funciona, as pessoas vão de novo ao médico para que lhe seja prescrito outro”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Mark Ebell. Mas na verdade os antibióticos são ineficazes contra as tosses causadas por infecções virais.

De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, dos EUA, a tosse aguda é a responsável por cerca de três por cento das consultas de ambulatório. Mais de metade dos pacientes chega ao fim da consulta com uma receita de antibiótico. O investigador refere que esta percentagem deveria ser muito menor.

O estudo lembra que a toma desnecessária de antibióticos conduz a um maior risco de resistência bacteriana. Esta resistência resulta numa menor disponibilidade de tratamentos quando há uma ameaça séria para a saúde. Na realidade, as infecções estão a tornar-se de mais difícil tratamento, pois há cada vez menos antibióticos eficazes. Em alguns casos, nenhum deles funciona adequadamente. A preocupação de que iremos chegar a um ponto em que não haverá antibióticos que actuem é uma preocupação real, refere o investigador.

Na opinião de Mark Ebell os pacientes necessitam de ser educados sobre a progressão natural da tosse aguda, bem como sobre as doenças, para que as suas expectativas se tornem mais realistas.

(Adaptado de artigo publicado no portal Univadis)

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