Um estudo publicado
recentemente nos “Annals of Family Medicine” explica que uma tosse aguda
pode prolongar-se, em média, ao longo de 18 dias e que a
excessiva preocupação das pessoas quando a tosse perdura há mais de uma semana contribui para a prescrição inapropriada de
antibióticos nessas situações.
Os investigadores Mark H. Ebbell, Jerold Lundgren e Surasak Youngpairoj, da Universidade da
Georgia, nos EUA, chegaram a esta conclusão após terem analisado os
dados de 19 estudo observacionais realizados na Europa, USA, Quénia e
Rússia. Por outro lado, através de um questionário realizado a 500
indivíduos, foi possível constatar que os pacientes esperam que a tosse
se prolongue por apenas sete ou oito dias.
“Há
uma discrepância entre o que as pessoas acreditam e o que acontece na
realidade. Se alguém tem uma bronquite aguda e não está melhor após
quatro a cinco dias, há a tendência de ir ao médico para que este lhes
receite um antibiótico. E quando este não funciona, as pessoas vão de
novo ao médico para que lhe seja prescrito outro”, revelou, em
comunicado de imprensa, o líder do estudo, Mark Ebell. Mas na verdade os
antibióticos são ineficazes contra as tosses causadas por infecções
virais.
De acordo com o Centro de Controlo e
Prevenção de Doenças, dos EUA, a tosse aguda é a responsável por cerca
de três por cento das consultas de ambulatório. Mais de metade dos
pacientes chega ao fim da consulta com uma receita de antibiótico. O
investigador refere que esta percentagem deveria ser muito menor.
O
estudo lembra que a toma desnecessária de antibióticos conduz a um
maior risco de resistência bacteriana. Esta resistência resulta numa
menor disponibilidade de tratamentos quando há uma ameaça séria para a
saúde. Na realidade, as infecções estão a tornar-se de mais difícil
tratamento, pois há cada vez menos antibióticos eficazes. Em alguns
casos, nenhum deles funciona adequadamente. A preocupação de que iremos
chegar a um ponto em que não haverá antibióticos que actuem é uma
preocupação real, refere o investigador.
Na
opinião de Mark Ebell os pacientes necessitam de ser educados sobre a
progressão natural da tosse aguda, bem como sobre as doenças, para que
as suas expectativas se tornem mais realistas.
(Adaptado de artigo publicado no portal Univadis)
(Adaptado de artigo publicado no portal Univadis)
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