quinta-feira, 31 de março de 2022

Adoçantes artificiais podem aumentar o risco de cancro em 13%, especialmente cancros da mama


Uma
investigação publicada na revista científica PLOS Medicien aponta para uma possível ligação entre o consumo de adoçantes artificiais e um maior risco de se desenvolver cancro.

Os autores do estudo analisaram os dados de 102 865 adultos franceses que participaram no NutriNet-Santé, um estudo que arrancou em 2009 e que ainda está a decorrer. Os investigadores descobriram que os participantes que consomem grandes quantidades de adoçantes artificiais (uma média diária de 79 mg), nomeadamente aspartame e acessulfame de potássio, têm um risco 13% superior de cancro, sobretudo da mama e outros associados à obesidade.

A escolha parece ser simples: se é possível beber a versão do nosso refrigerante preferido sem o custo acrescido das calorias, por que não haveríamos de o fazer? Esse tem sido, até agora, o grande apelo dos adoçantes artificiais, substitutos do açúcar que criam versões de zero calorias das nossas bebidas e doces preferidos. Mas a que custo?

A verdade é que a contagem de calorias não conta toda a história destes adoçantes, que foram o alvo principal de um estudo da Universidade de Sorbonne, em Paris, que acompanhou a dieta e a saúde de cerca de cem mil pessoas ao longo de oito anos. Um enorme estudo que procurou encontrar os potenciais riscos escondidos nos adoçantes, sobretudo o aspartame e o acessulfame de potássio.

As conclusões são tudo menos animadoras. Os investigadores chegaram à conclusão de que o consumo regular destes adoçantes pode significar um aumento de 13 por cento no risco de cancro.

Dos mais de cem mil participantes, 37 por cento consumiam regularmente adoçantes. No final do estudo, 3.385 participantes foram diagnosticados com cancro, numa média de idades de 59 anos - na sua maioria, cancros relacionados com obesidade, num total de 2032.

Segundo os cálculos dos investigadores, uma dose de 79 miligramas de adoçantes artificiais, quando consumida diariamente, pode implicar um aumento de 13 por cento no risco. “As nossas descobertas não reforçam a ideia do uso destes adoçantes artificiais como alternativas seguras ao açúcar em comidas ou bebidas”, explicam.

Ainda assim, admitem que estes resultados “devem ser replicados noutros estudos em larga escala” e que alguns “mecanismos mais específicos devem ser clarificados noutros estudos experimentais”. Alguns críticos apontam para a falta de diversidade no grupo de estudo, sobretudo por conter uma maioria de mulheres.

“A ligação entre os adoçantes e o cancro neste estudo não implicam uma relação de causalidade - não serve de prova que eles possam provocar cancro”, explica ao “The Daily Mail” Michael Jones, especialista do Instituto de Investigação do Cancro, em Londres.

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