Chegou ao piso da alimentação pela escada rolante. O período que se seguia à hora de ponta do almoço mostrava as mesas ainda ocupadas, maioritariamente por jovens que aguardavam a hora de regresso aos afazeres vespertinos. De idade madura, feições algo rudes, de rugas vincadas, indisfarçáveis apesar de espessa maquilhagem, cabelo grisalho mal mascarado de louro escuro, envergava um casaco castanho com manchas amarelas, wild fashioned, bem dentro da moda. Andar cauteloso, rumou à esquerda e, sem hesitação, encaminhou-se para a loja do Café Nicola, o Nicola Gourmet. Entrou, olhou à volta e, talvez desanimada por não observar mesa disponível, dirigiu-se ao balcão e pediu um café. Prontamente atendida, colocou a chávena num pequeno tabuleiro e saiu para procurar um lugar para se sentar. Deambulou longamente de um lado para o outro, tabuleiro bem seguro nas mãos. Passaram vários minutos infrutíferos até conseguir encontrar vaga uma pequena mesa, ao lado de outra ocupada por um casal de jovens. Depositou cuidadosamente o pequeno tabuleiro com a chávena e sentou-se, aliviada. Começara a mexer o café com a pequena colher fornecida quando uma jovem retardatária no almoço se dirigiu a ela e pediu para poisar o tabuleiro com a frugal refeição, para partilhar o espaço da mesa oposto ao que ocupara. Sorriu surpreendida e aquiesceu. Iniciaram uma animada conversa. O café há muito que esfriara.
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